Paquistão denuncia ataque de tropas dos EUA; 4 civis morrem

Duas mulheres e duas crianças morrem por disparo que destruiu casa; Otan diz que desconhece o incidente

Efe, REUTERS

13 de março de 2008 | 09h36

O porta-voz do Exército do Paquistão, Athar Abbas, denunciou nesta quinta-feira, 13, um ataque das tropas americanas posicionadas no Afeganistão que alcançaram território paquistanês e mataram quatro civis. Abbas afirmou que vários disparos destruíram a residência das vítimas (duas crianças e duas mulheres) na fronteira com o Afeganistão. Cerca de 2 mil moradores protestaram contra o bombardeio, ocorrido na noite de terça-feira na região do Waziristão do Norte, reduto de militantes que combatem os governos do Paquistão e Afeganistão, ambos aliados dos EUA. "Eles dispararam cinco rajadas que caíram em nosso território, e nisso uma casa foi destruída, resultando na morte de duas mulheres e duas crianças", disse o general paquistanês Athar Abbas.    O Paquistão apresentou um protesto "muito forte" às forças internacionais no Afeganistão. A casa atingida ficava a cerca de 2 quilômetros da fronteira, segundo Abbas. Um porta-voz da força da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) no Afeganistão disse desconhecer o incidente. Já a força comandada pelos EUA (independente da Otan) admitiu ter havido disparos contra o Paquistão, na madrugada de quarta-feira, em resposta a uma ameaça de militantes islâmicos. "As forças da coalizão de fato usaram munições guiadas com precisão em resposta a uma ameaça iminente da rede [ligada ao veterano militante Jalauddin] Haqqani", disse o major Chris Belcher, acrescentando não ter nenhuma "avaliação dos danos da batalha" -- ou seja, informações sobre danos e vítimas. O Paquistão, importante aliado dos EUA na "guerra ao terrorismo", vem tentando conter a infiltração de militantes do Waziristão do Norte e outras regiões fronteiriças para dentro do Afeganistão. Mas o apoio paquistanês aos EUA é profundamente impopular, e Islamabad não autoriza oficialmente as forças norte-americanas a entrar no Paquistão ou atacar militantes no seu território, embora aviões teleguiados dos EUA sabidamente já tenham lançado mísseis contra militantes no lado paquistanês. Só nas últimas semanas foram dois ataques desse tipo. Incidentes na fronteira inevitavelmente provocam indignação, e na quinta-feira milhares protestaram pelas mortes dos civis na região tribal de Bajaur, que também fica na fronteira afegã, ao norte do Waziristão. "Isso tudo é por causa da nossa fraqueza. Estamos matando nossa gente, mas, ao invés de realizar uma ação forte, estamos sempre tentando contentar os EUA. É uma vergonha," disse Haroon-ur-Rashid, líder de um partido islâmico, aos manifestantes.

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