Paquistão desconsidera gestos de conciliação da Índia

O secretário de Defesa dos EUA, Donald H. Rumsfeld, se reuniu hoje com líderes indianos, numa tentativa de aliviar a tensão no subcontinente. O Paquistão, porém, deu pouca importância a gestos conciliatórios da Índia, considerando que eles não eram suficientes para afastar a ameaça de guerra entre os dois rivais nucleares."A situação continuará terrível enquanto houver concentração na fronteira", disse o presidente paquistanês, general Pervez Musharraf, durante uma viagem à Arábia Saudita. Ele pediu à Índia para recuar suas tropas para posições anteriores e retomar conversações de paz sobre a disputada Caxemira.Musharraf deu garantias à Índia - através de um enviado dos EUA na semana passada - de que havia ordenado a suas forças para evitar que militantes islâmicos baseados no Paquistão se infiltrassem na parte da Caxemira controlada pelos indianos. O governo de Nova Délhi se recusa a dialogar com o Paquistão até se certificar de que as infiltrações acabaram.Rumsfeld disse que há "indicações" de que a Al-Qaeda estaria operando na dividida Caxemira, levantando temores de que, apesar de gestos conciliatórios dos dois países do Sul da Ásia, terroristas estrangeiros possam tentar provocar uma nova guerra pela província himalaia. "Tenho visto indicações de que, de fato, a Al-Qaeda está na região", respondeu, acrescentando que não dispõe de evidências sobre precisamente quantos, quem ou onde.Se a Al-Qaeda se juntasse a militantes paquistaneses em ataques na Caxemira indiana, isto acrescentaria uma nova dimensão à insurgência de 12 anos pela independência da Caxemira que já cobrou a vida de pelo menos 60 mil pessoas, e poderia aumentar as chances de uma guerra."Estamos recebendo a cooperação de todos os países do mundo para que esses países não se tornem abrigo de terroristas", disse Rumsfeld. "O governo do Paquistão tem sido bastante cooperativo e está ajudando a localizar a Al-Qaeda e tem entregado vários integrantes capturados".O Ministério do Exterior paquistanês deu pouca importância à decisão da Índia de recuar seus navios de guerra de águas próximas ao Paquistão e suspender uma proibição de seis meses a aviões comerciais paquistaneses de usarem seu espaço aéreo. A Índia também indicou que nomearia um novo embaixador para o Paquistão."Numa situação em que forças indianas estão concentradas na fronteira do Paquistão numa perigosa postura de confrontação, as decisões da Índia não respondem às principais causas da tensão", afirmou o ministério num comunicado. "Confiamos em que a Índia anuncie em breve novos passos levando à retomada de um significativo diálogo entre os dois países, principalmente sobre a questão central da Caxemira", acrescentou.Depois de reunir-se com o primeiro-ministro Atal Bihari Vajpayee, Rumsfeld creditou à Índia os passos para que a tensão seja aliviada. Para ele, uma das medidas em consideração era a de usar inteligência americana para monitorar infiltrações de militantes do setor paquistanês para o indiano da Caxemira.A Índia acusa o Paquistão de financiar e treinar os militantes. O Paquistão garante só oferecer apoio diplomático e moral aos guerrilheiros, a quem chama de lutadores da liberdade.O ministro da Defesa indiano, George Fernandes, não querendo entrar em detalhes sobre sua conversa com Rumsfeld, disse apenas acreditar que "o entendimento que alcançamos sobre como lidar com alguns dos problemas imediatos que enfrentamos darão frutos e levará a uma melhor atmosfera no subcontinente".Rumsfeld desembarcou na capital do Paquistão na noite de hoje, onde terá discussões semelhantes sobre como romper o impasse de seis meses entre os dois antigos inimigos.Novos bombardeios entre forças indianas e paquistanesas na fronteira da Caxemira deixaram pelo menos dois civis mortos no lado do Paquistão. A polícia indiana, por seu lado, afirmou que sete supostos guerrilheiros foram mortos em enfrentamentos no distrito de Doda, a 250 quilômetros a noroeste de Jammu.

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