Aqeel Ahmed/AP
Aqeel Ahmed/AP

Paquistão detém informantes da CIA

Entre os cinco detidos pelo serviço de espionagem paquistanês está um major do Exército

Eric Schmitt e Mark Mazzetti, do The New York Times, O Estado de S.Paulo

16 de junho de 2011 | 00h00

A principal agência de espionagem militar do Paquistão prendeu ontem cinco informantes paquistaneses que forneceram dados importantes à Agência Central de Inteligência (CIA) antes da operação que matou Osama bin Laden, em maio, afirmam funcionários dos EUA. As prisões são a mais recente evidência da crise nas relações entre Washington e Islamabad.

 

 

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Entre os detidos está um major do Exército paquistanês, que, segundo as autoridades, teria copiado as placas dos automóveis dos visitantes do complexo de Bin Laden em Abbottabad, nas semanas que antecederam a operação. O secretário de Defesa dos EUA, Robert Gates, não confirmou as informações, mas, em audiência no Senado, disse ontem que as prisões são resultado da realidade do mundo de hoje.

O destino dos informantes da CIA presos no Paquistão não foi esclarecido, mas funcionários americanos disseram que o diretor da agência, Leon Panetta, levantou a questão durante uma viagem a Islamabad, na semana passada, onde se encontrou com o serviço de inteligência e do Exército paquistanês.

Numa reunião de informações realizada a portas fechadas, na semana passada, membros do Comitê de Inteligência do Senado pediram que Michael Morell, vice-diretor da CIA, desse detalhes sobre a cooperação do Paquistão com os EUA nas operações de contraterrorismo, numa escala de 1 a 10. "Três", respondeu Morell, segundo pessoas envolvidas com o depoimento.

Em Washington, alguns consideram as prisões o indício da falta de sintonia entre paquistaneses e americanos no momento em que os dois países são supostamente aliados na luta contra a Al-Qaeda.

Quando visitou o Paquistão, Panetta apresentou provas da ligação entre funcionários paquistaneses e militantes que realizam ataques no Afeganistão. Representantes do governo dos EUA mostraram fotos de satélite de duas fábricas de bombas que, há várias semanas, espiões americanos queriam que fossem invadidas.

Quando as tropas paquistanesas apareceram, dias mais tarde, os militantes haviam desaparecido, o que fez agentes americanos se perguntarem se eles teriam sido alertados por alguém do lado paquistanês.

Crise. Pouco depois das incursões fracassadas, o Departamento de Defesa dos EUA suspendeu o pagamento de US$ 300 milhões, que seriam enviados ao Paquistão em razão do custo da instalação de mais de 100 mil soldados ao longo da fronteira com o Afeganistão.

Desde janeiro, quando um empreiteiro da CIA matou dois paquistaneses em Lahore, funcionários americanos disseram que espiões paquistaneses não têm se mostrado dispostos a cooperar com a agência dos EUA.

A porta-voz da CIA, Marie Harf, fez questão de reafirmar a aliança com o Paquistão. "Nossas relações são muito sólidas e tratamos dos problemas à medida que eles aparecem", afirmou. O Departamento de Estado adota posição semelhante e deixa clara a necessidade da aliança.

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