Paquistão dissolve Parlamento e nomeia premiê interino

Musharraf escolhe novo primeiro-ministro e define que deixará chefia do Exército até o início de dezembro

Associated Press e Efe,

15 de novembro de 2007 | 15h44

O presidente do Paquistão, Pervez Musharraf, dissolveu a Assembléia Assembléia Nacional, que dará lugar a um governo interino, e nomeou o atual presidente do Senado, Mohammad Mian Soomro, será nomeado primeiro-ministro. A medida dá início aos preparativos para as eleições legislativas, previstas para janeiro. Após anunciar que deixará o comando do Exército até o início do mês de dezembro, Musharraf alterou os termos do estado de exceção para garantir que, como civil, possa encerrar o decreto, um poder até agora reservado ao Chefe das Forças Armadas. O procurador-geral do Paquistão, Malik Mohamad Qayyum, anunciou que espera que o presidente do país, renuncie ao cargo de chefe das Forças Armadas antes do dia 1 de dezembro. Musharraf se comprometeu a deixar o posto no Exército assim que a Suprema Corte do país validasse a sua vitória nas eleições para a Presidência. Segundo a BBC, o procurador afirmou que a Corte pretende tomar uma decisão nos próximos dias. Nesta quinta, a Comissão Eleitoral do Paquistão enviou formalmente convites aos líderes de 17 partidos políticos para que compareçam a um encontro para criar um código de conduta voltado às eleições. Os convites, segundo o canal de televisão paquistanês Dawn, foram enviados aos principais partidos de oposição, como a Liga Muçulmana do Paquistão-Nawaz (PML-N), o Partido Popular do Paquistão (PPP) e a aliança islâmica Muttahida Majlis-e-Amal. Nos últimos dias, alguns partidos cogitaram a hipótese de boicotar a eleição como forma de protesto contra Musharraf e contra o estado de exceção. Segundo a dirigente do PPP e ex-primeira-ministra Benazir Bhutto, "muito provavelmente" o general "manipulará as eleições" contra a oposição. O chefe de Estado do Paquistão disse que a realização do pleito faz parte de seu compromisso com a transição democrática, mas a líder do PPP acredita que o general, "impondo a lei marcial, perdeu o respaldo internacional que tinha antes de 3 de novembro". "No final, o povo do Paquistão sairá às ruas para fazer com que Musharraf saia. E isso ocorrerá em pouco tempo", advertiu. Em várias localidades do sul do país, as forças de segurança precisaram recorrer a bombas de gás lacrimogêneo para dispersar os manifestantes do partido, que pediam o fim da prisão domiciliar de Bhutto. Nesta quinta, partidários de Bhutto protestaram em Karachi, onde o PPP denunciou a morte de duas crianças que foram baleadas pela polícia. Em Chakiwara, em Karachi, as bombas de efeito moral deram lugar às balas e duas crianças, de 11 e 12 anos, morreram, se tornando as primeiras vítimas dos protestos desde a instauração do estado de exceção. Além da oposição interna, Musharraf precisa enfrentar as críticas internacionais. No sábado, o vice-secretário de Estado americano, John Negroponte, deve chegar ao Paquistão. Esta será a primeira visita de um diplomata dos Estados Unidos, um tradicional aliado de Musharraf, desde a declaração do estado de exceção.

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