Paquistão diz que ajudará Irã a encontrar culpados por ataques

O Paquistão irá ajudar Teerã a localizar os responsáveis pelo atentado suicida desta semana no sudeste do Irã, disse o chanceler paquistanês na quarta-feira.

AUGUSTINE ANTHONY, REUTERS

21 de outubro de 2009 | 10h34

O grupo rebelde sunita Jundollah ("Soldados de Deus") assumiu a responsabilidade pelo atentado de domingo, que deixou 42 mortos, inclusive vários comandantes da Guarda Revolucionária.

O Irã diz que o grupo agiu a partir do território paquistanês.

A TV estatal disse na terça-feira que o comandante das forças terrestres da Guarda, Mohammad Pakpour, pediu autorização para caçar terroristas dentro do Paquistão.

O chanceler paquistanês, Shah Mehmood Qureshi, não quis comentar a notícia, e disse que uma delegação iraniana chegará ao Paquistão para dialogar.

"Vamos ajudá-los e apoiá-los em encontrar os responsáveis", disse Qureshi à Reuters por telefone. "Vamos resolver isso numa base governo a governo."

Segundo ele, o terrorismo é um problema regional, e os dois países podem se ajudar mutuamente.

"O que estamos pedindo é que, como vizinhos, como amigos, como países amistosamente fraternos, temos de adotar uma abordagem cooperativa para lidar com esta ameaça", afirmou. "O Paquistão está sofrendo, o Paquistão é uma vítima do terrorismo."

No fim de semana, o Paquistão iniciou uma ofensiva contra militantes islâmicos na fronteira com o Afeganistão, depois de uma série de atentados suicidas que deixou mais de 150 mortos.

Islamabad condenou o "repugnante ato de terrorismo" no território iraniano.

O Jundollah nega ter vínculos com outros grupos militantes da região, mas analistas dizem que ele se inspira cada vez mais na insurgência islâmica do Paquistão, inclusive o Lashkar-e-Jhangvi, grupo sunita da província paquistanesa do Punjab, com estreitas ligações com o Taliban local. Ambos os grupos, por sua vez, parecem ter relação com a Al Qaeda.

As relações entre Irã e Paquistão em geral são boas nos últimos anos, e os dois países colaboram no projeto de um gasoduto.

Mas no passado o Irã acusou o Paquistão de dar abrigo a membros do Jundollah, e o comandante-chefe da Guarda, Mohammad Ali Jafari, disse na segunda-feira que o grupo tem ligações com organizações de inteligência dos EUA, da Grã-Bretanha e do Paquistão.

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