Paquistão diz que ataque dos EUA deixa 11 mortos

Autoridades de inteligência do Paquistão informaram neste domingo que a morte de 11 militantes do Taleban ocorrida na fronteira com o Afeganistão provavelmente se deve a um ataque de mísseis vindo de avião não tripulado de propriedade dos EUA. Os ataques tinham como alvo um esconderijo do grupo no Sul da região tribal de Waziristan, informaram as autoridades, em condição de anonimato por não estarem autorizados a falar com a imprensa.

AE, Agência Estado

06 de janeiro de 2013 | 13h53

A identidade dos militantes mortos não foi imediatamente reconhecida, informou a fonte, mas dois importantes comandantes do Taleban paquistanês, incluindo o chefe da unidade de treinamento de homens-bomba, pode estar entre os mortos.

O ataque de hoje foi o terceiro suspeito de ter sido feito por aparatos dos EUA nos últimos cinco dias. Na quarta-feira à noite, um deles resultou na morte do comandante militar paquistanês, Maulvi Nazir, acusado de mortes em ataques contra americanos e outros alvos na fronteira do Afeganistão. Este ataque foi seguido de outro na quinta-feira no Norte da região tribal de Waziristan.

Nazir fazia parte de uma facção que concordou com o cessar-fogo com o Paquistão em 2009 e não atacava alvos domésticos. Embora sua morte provavelmente seja vista em Washington como afirmação da necessidade de seu controverso programa de uso de avião não tripulado, ela deve causar mais atritos nas já tensas relações com o Paquistão.

Analistas dizem que a morte de Nazir deve complicar a luta dos soldados paquistaneses contra as forças locais e estrangeiras atreladas à militantes da Al-Qaeda na região tribal do país. Eles dizem que os guerrilheiros podem voltar suas armas para as tropas paquistaneses e até mesmo se juntar ao Taleban paquistanês para lutar contra o Estado.

Islamabad se opõe ao uso de avião não tripulado em seu território, mas acredita-se que no passado aprovou ataques táticos na região. Ataques deste tipo também enfurecessem muitos paquistaneses que os consideram violação da soberania do país. Muitos paquistaneses reclamam que civis inocentes também são mortos neste tipo de ação, o que é negado pelos EUA.

O ataque de hoje, entretanto, não deve desagradar tanto os militares paquistaneses e a população porque seu alvo foi militantes no Paquistão e não nas vizinhanças com o Afeganistão.

O serviço de inteligência do Paquistão disse que informantes contaram que um dos dois comandantes mortos foi Wali Muhammad Mahsud, conhecido como Toofan, que chefiou o braço do grupo que treinou homens-bomba. Seu antecessor, Qari Husain Mehsud, provavelmente foi morto por um míssil americano no final de 2011.

Mahsud fez parte do Taleban paquistanês que desencadeou uma guerra sangrenta contra o Paquistão na qual foram eliminados soldados, policiais, autoridades do governo, civis e até mesmo líderes religiosos que não concordavam com a interpretação do grupo para o Islan.

O Taleban paquistanês quer que o Estado encerre suas ligações com os EUA e refaça a constituição para garantir no país um sistema islâmico com base na Sharia.

Washington quer que o Paquistão lance uma operação militar no Norte de Waziristan, onde se acredita ser a última região forte de muitos grupos militantes, mas Islamabad tem se recusado argumentando que não possui tropas e recursos suficientes para essa ofensiva.

Na falta deste tipo de operação, os EUA fica mais dependente de ataques com aviões não tripulados para combater os militantes do Taleban. O programa já matou vários comandantes importantes, incluindo Abu Yahya al-Libi, o número dois da Al-Qeda quanto foi morto em ataque em junho. As informações são da Associated Press.

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