Paquistão diz que deteve 11 guardas iranianos na fronteira

Forças paquistanesas detiveram 11 membros da Guarda Revolucionária do Irã nesta segunda-feira por cruzarem a fronteira, dias depois que um comandante iraniano falou que seus homens deveriam receber a permissão de confrontar terroristas no Paquistão, disseram autoridades.

GUL YOUSAFZAIN, REUTERS

26 de outubro de 2009 | 15h43

Os iranianos foram presos na região de Mashkel, na fronteira com o Irã, oito dias depois de um homem-bomba ter matado 42 pessoas, inclusive seis comandantes da Guarda, na província do Sistão-Baluquistão, no sul do Irã.

Um grupo muçulmano sunita, o Jundollah (soldados de Deus), assumiu a autoria do ataque.

O Irã diz que o grupo opera na fronteira com o Paquistão. Na terça-feira passada, um comandante da Guarda Revolucionária disse que sua força deveria receber permissão para confrontar terroristas dentro do Paquistão, anunciou a mídia estatal.

"É uma questão séria. Estamos investigando por que eles atravessaram a fronteira e entraram no nosso território", disse o policial da fronteira, que não quis ser identificado, já que não pode falar com a mídia.

Outra autoridade da área de segurança paquistanesa disse que autoridades na fronteira iraniana lhe disseram que a invasão foi acidental e aconteceu depois que os Guardas lançaram uma operação contra militantes do Jundollah perto da fronteira.

A televisão estatal iraniana, no entanto, citou a polícia dizendo que oito soldados e policiais foram presos pelo Paquistão enquanto caçavam pessoas suspeitas de ter contrabandeado combustível.

"Cinco soldados e três sargentos que estavam atrás de contrabandistas de combustível na fronteira do Irã com o Paquistão foram presos no Paquistão. E dois dos contrabandistas também foram presos pelos guardas paquistaneses", disse o policial.

As relações entre o Irã e o Paquistão foram relativamente boas nos últimos anos, e os vizinhos estão cooperando na construção de um gasoduto de gás natural, mas o Irã disse que os ataques suicidas da semana passada iriam afetar as relações.

O Irã diz que o grupo Jundollah tem bases no Paquistão e pediu ao governo de Islamabad que entregue seu líder, Abdolmalik Rigi.

O Paquistão garantiu ao Irã que iria cooperar em prender e punir quem estava por trás do ataque. Mas negou que Rigi estivesse no Paquistão.

O Irã também acusa os Estados Unidos e a Grã-Bretanha de apoiarem o Jundollah.

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