Paquistão e Afeganistão assinam acordo comercial

O Paquistão e o Afeganistão fecharam neste domingo, após anos de negociações, um acordo comercial que prevê uma abertura maior para o transporte na fronteira entre os dois países. O pacto foi assinado pelos ministros de Comércio das duas nações em Islamabad na presença da secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, que viajou para a cidade com o objetivo de pedir mais cooperação entre os paquistaneses e afegãos no combate às redes extremistas Al-Qaeda e Taleban.

AE-AP, Agência Estado

18 de julho de 2010 | 17h10

O acordo, que foi considerado por autoridades norte-americanas como um grande passo para a aproximação entre o Paquistão e o Afeganistão, ainda precisa ser aprovado pelos parlamentos dos dois países. "Unir Islamabad e Cabul tem sido o objetivo desta administração desde o início", disse Richard Holbrooke, representante especial da Casa Branca para o Afeganistão e o Paquistão. "Esta é uma demonstração vívida de que eles estão ficando mais próximos."

Os norte-americanos querem mais ajuda do Paquistão para combater forças insurgentes acusadas de conspirar contra os EUA e de planejar ofensivas como o ataque a bomba frustrado na Times Square. No entanto, "para chegarmos lá, precisamos mudar a essência do relacionamento com o Paquistão", disse Holbrooke.

A viagem de Hillary à Islamabad também tinha como meta mostrar aos paquistaneses que os EUA estão comprometidos com o desenvolvimento paquistanês no longo prazo, não apenas com ganhos de curto prazo relacionados à segurança. Durante uma reunião com Asif Ali Zardari e Yusuf Raza Gilani - respectivamente o presidente e o primeiro-ministro do Paquistão -, Hillary ofereceu um pacote de aproximadamente US$ 500 milhões em programas de desenvolvimento para os setores de água, energia, agricultura e saúde do país.

O sentimento antiamericano entre os paquistaneses ainda é elevado, devido principalmente aos ataques de aviões não tripulados dos EUA, que são direcionados a grupos insurgentes mas frequentemente ferem ou matam civis. Segundo Holbrooke, na visita anterior de Hillary ao Paquistão, em outubro, ela teve de passar por "multidões hostis e céticas continuamente", mas a nova estratégia dos EUA "está produzindo uma mudança na postura paquistanesa, primeiro no governo e, gradualmente, no público".

Na terça-feira, a secretária de Estado dos EUA deve passar por Cabul, capital do Afeganistão, para participar de uma conferência internacional que reunirá diplomatas de 60 países. A segurança na capital afegã foi reforçada, mas ainda assim um ataque suicida perto de um mercado matou três civis e feriu dezenas neste domingo.

Posteriormente, Hillary vai se juntar ao secretário de Defesa dos EUA, Robert Gates, na Coreia do Sul, e terminará a viagem no Vietnã, onde discutirá com as autoridades locais sobre as próximas eleições em Mianmar. As informações são da Associated Press.

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