Paquistão e Índia suspendem encontro no Nepal

Um alto funcionário indiano disse nesta terça-feira que o primeiro-ministro Atal Behari Vajpayee não se encontrará com o presidente do Paquistão, Pervez Musharraf, para discutir a atual crise entre os dois países paralelamente à reunião regional desta semana no Nepal. "Não há chance de um diálogo", disse o funcionário. Apesar de terem acenado com a possibilidade de um diálogo, os líderes indianos dizem que não haverá nenhuma conversação enquanto o Paquistão não atender a suas demandas de conter as atividades de militantes islâmicos que cruzam a fronteira para cometer ataques na Índia. O chanceler indiano, Jaswant Singh, declarou também que nenhuma decisão havia sido tomada sobre conversações entre ele e seu colega paquistanês, Abdul Sattar, durante a reunião da Associação do Sul da Ásia para Cooperação Regional, no fim de semana em Katmandu. Os dois chanceleres vão sentar-se à mesma mesa pela primeira vez desde o atentado suicida do dia 13 contra o Parlamento indiano. A situação na fronteira entre o Paquistão e a Índia era explosiva, nesta terça-feira, apesar de os dois países rivais terem enfatizado a necessidade de um diálogo para resolver as diferenças que têm prejudicado suas relações por meio século. Militares paquistaneses disseram que houve intensa troca de disparos de artilharia ao longo da chamada "linha de controle", que divide a Caxemira entre a Índia e o Paquistão, na noite desta segunda-feira e na madrugada desta terça. Residentes paquistaneses disseram que um civil paquistanês foi morto. Nos mesmos combates, dois soldados indianos morreram e três ficaram feridos. As tropas paquistanesas bombardearam e destruíram duas posições indianas com projéteis de morteiro e foguetes nas zonas de Palnoia, Janguard, Kalal e Lam. Tanto a Índia como o Paquistão concentraram grande quantidade de tropas nas zonas fronteiriças - a maior movimentação militar desde a guerra de 1971 - depois do aumento da tensão nos últimos dias por causa do atentado suicida do dia 13 contra o Parlamento indiano, que deixou 14 mortos. As duas potências nucleares também adotaram medidas de represália recíprocas, como a redução de representações diplomáticas e a paralisação do transporte aéreo, terrestre e ferroviário entre os dois países. Seis hindus, entre eles duas crianças, foram assassinados a tiros nesta segunda-feira na região da Caxemira. Para a polícia indiana, os assassinatos foram cometidos por separatistas muçulmanos. O ataque, a tiros, ocorreu em um remoto povoado do distrito de Pooch, mais de 200 quilômetros ao norte de Jammu, capital de inverno do Estado indiano de Jammu-Caxemira, de maioria muçulmana. As autoridades indianas acusam os separatistas islâmicos refugiados no vizinho Paquistão de freqüentes assassinatos de civis hindus para intimidar os não-muçulmanos e fazer com que partam da região da Caxemira, disputada por ambos os países. Após duas semanas de uma tensão crescente, movimentação de tropas e combates fronteiriços, o primeiro-ministro indiano, Atal Behari Vajpayee, disse em sua mensagem de Ano-Novo que a Índia está preparada para dialogar com o Paquistão - até mesmo sobre a questão da Caxemira - se Islamabad abandonar sua "mentalidade anti-Índia". Também nesta terça, a Índia e o Paquistão repetiram uma tradição de Ano-Novo: a renovação do acordo segundo o qual os dois países se comprometem a não atacar suas respectivas instalações nucleares. A Índia e o Paquistão há 11 anos informam reciprocamente a localização de suas instalações nucleares, uma das poucas medidas destinadas a aliviar as tensões entre os dois países rivais. Este ano, contudo, o compromisso adquiriu mais importância por causa da possibilidade de um novo conflito entre a Índia e o Paquistão, que já travaram três guerras - duas delas pela Caxemira - desde sua independência da Grã-Bretanha em 1947.

Agencia Estado,

01 Janeiro 2002 | 20h17

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