Mohammad Sajjad/AP
Mohammad Sajjad/AP

Paquistão enfrenta crise humanitária com 1,5 mi de refugiados

População foge de ofensiva militar contra o Taleban; êxodo é comparável ao que ocorreu em Ruanda, diz ONU

Associated Press,

19 de maio de 2009 | 08h45

O governo do Paquistão afirmou nesta terça-feira, 19, que se empenha para acomodar cerca de 1,5 milhões de refugiados do noroeste do país em fuga de uma ofensiva militar contra o Taliban. O tamanho e a velocidade do êxodo podem superar o deslocamento causado pelo genocídio em Ruanda, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU).

 

O desafio humanitário ocorre em um momento que as forças armadas informam a morte de 20 guerrilheiros durante uma operação para reconquistar povoados do Vale do Swat, controlado por combatentes fortemente armados.

 

O general Nadeem Ajmed, responsável por um batalhão de apoio aos refugiados, disse que o governo tem suficiente farinha e outros alimentos, mas necessita doações de ventiladores e biscoitos de alto valor energético. Ajmed também informou que os refugiados receberão dinheiro e transporte gratuito quando houver segurança para retornarem para suas casas. "Um acampamento não é um substituto do lar", disse. Ele afirmou que a operação conta com pelo menos 22 acampamentos.

 

O Exército do Paquistão disse nesta terça-feira que a operação para tomar o controle do Vale do Swat está "avançando como planejada". O governo divulga que mais de mil guerrilheiros foram mortos desde o final de abril, uma estimativa impossível de ser verificada pois jornalistas estão impedidos de entrar na zona de batalha. Os oficiais não apresentaram números de mortes de civis, mas os refugiados afirmam que ocorreram.

 

A Organização das Nações Unidas estima que aproximadamente 1,5 milhões de pessoas fugiram de suas casas este mês no Paquistão e registra 130.950 refugiados nos acampamentos. Muitos outros estão hospedados com parentes, conhecidos ou em casas alugadas. Ron Redmond, porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), afirma que o fracasso da ajuda para os refugiados e famílias que os hospedam pode causar mais desestabilização política no país.

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