Paquistão envia chefe de inteligência à Índia

O chefe da inteligência paquistanesa, general Ahmed Shuja Pasha, viajará à Índia nos próximos dias para participar das investigações sobre a autoria dos atentados em Mumbai. Esta será a primeira vez que um chefe do órgão, conhecido como Inter-Service Intelligence (ISI), visita a Índia. A data não foi confirmada, mas o simples anúncio do envio de Pasha ao país vizinho demonstra o quanto o Paquistão está interessado em oferecer ajuda concreta às investigações.Com isso, os paquistaneses esperam afastar de vez as insinuações de que teriam participado dos atentados, como sugeriu o primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh, ontem, em pronunciamento à nação. Até agora, há pelo menos três paquistaneses entre os extremistas detidos pela Índia, o que levou o ministro indiano das Relações Exteriores, Pranab Mukherjee, a declarar que "alguns elementos no Paquistão são responsáveis". Outro incidente que fez aumentar a desconfiança indiana foi a apreensão de dois barcos paquistaneses, supostamente envolvidos no desembarque dos terroristas em Mumbai na quarta-feira à noite.A viagem de Pasha à Índia poderá evitar que grupos terroristas locais acabem jogando um governo contra o outro, valendo-se da rivalidade permanente entre indianos e paquistaneses que, desde 1947, já travaram três guerras, a última delas em 1971, e dividem uma fronteira tensa e militarizada na região da Caxemira. O próprio serviço secreto paquistanês é suspeito de ter arquitetado um ataque contra o Parlamento indiano em 2001, além de apoiar grupos separatistas na Caxemira.O Paquistão, por sua vez, acusa a Índia de fazer o mesmo na província do Baluquistão, na fronteira sul entre os dois países. Além disso, ambos Estados disputam uma corrida nuclear, nem sempre velada, que poderia, num grave cenário de crise, ter conseqüências imprevisíveis. Conseqüências Se for confirmada a hipótese de que o Paquistão esteve envolvido nos ataques em Mumbai, as conseqüências negativas serão sentidas não somente nas relações com a Índia, mas, principalmente, na confiança que os Estados Unidos ainda depositam no governo paquistanês como um de seus parceiros na luta contra o terrorismo.Há meses, os militares norte-americanos intensificaram suas ações na montanhosa fronteira que divide o Paquistão do Afeganistão. Acredita-se que Osama bin Laden possa estar escondido ali, sob a proteção de centenas de combatentes da Al-Qaeda e do Taleban.

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