Paquistão envia emissário aos EUA para reativar laço

Diretor do serviço secreto paquistanês encontrou com diretor da CIA e outras autoridades

Denise Chrispim Marin, O Estado de S.Paulo

14 de julho de 2011 | 00h00

CORRESPONDENTE / WASHINGTON - O diretor do Inter-Services Inteligence (ISI, o serviço secreto paquistanês), Ahmad Shuja Pasha, desembarcou ontem em Washington com a missão de reativar a cooperação bilateral com os EUA. Enquanto Islamabad espera o recuo de Washington em sua decisão de cancelar US$ 800 milhões em ajuda militar ao país, a Casa Branca pretende receber o aval do governo paquistanês para a retomada das ações da CIA contra militantes do Taleban e da Al-Qaeda.

Pasha encontrou-se com o diretor interino da CIA, Mike Morrell, e com outras autoridades da área de Segurança Nacional do governo americano. O corte de ajuda ao país, anunciado no domingo, não foi mencionado publicamente após o encontro.

Segundo o especialista em Paquistão da consultoria Samuels International, Sourabh Gupta, a visita de Pasha teve o objetivo de elevar o grau de confiança e de cooperação entre a CIA e a ISI, em uma negociação que ainda deverá se estender. "Ambas as agências e os governos necessitam, de forma urgente, retomar a coordenação em um patamar maior", afirmou.

Distanciamento. A relação bilateral tem piorado desde a morte do líder da Al-Qaeda, Osama bin Laden, executado pela CIA no Paquistão em maio. O governo paquistanês não foi informado previamente pelos EUA da operação. Um dos episódios mais recentes desse desgaste é a prisão do médico Shakil Afridi, supostamente recrutado pela CIA para obter uma mostra DNA de moradores da casa na qual Bin Laden se escondia, em Abbottabad, por meio de uma campanha de vacinação. O governo americano negocia a libertação dele.

Outro caso que provocou ruídos na relação entre os dois aliados foi a morte do jornalista Saleem Shahzad, no final de maio. O governo americano acredita que o ISI estaria por trás da operação. A notícia da morte, publicada pelo jornal The New York Times, foi confirmada pelo almirante Mike Mullen, chefe do Estado-maior das Forças Armadas americanas. O ISI negou envolvimento no assassinato do jornalista, que tinha escrito para o site Asia Times Online sobre a infiltração de militantes extremistas no Exército do Paquistão.

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