Paquistão está determinado a lutar contra o terrorismo, diz premiê

Yousuf Raza Gilani prometeu investigação sobre longa presença de Bin Laden no país

Estadão.com.br

09 de maio de 2011 | 10h16

Paquistanês assiste ao pronunciamento televisionado do premier Gilani, nesta segunda

 

ISLAMABAD - O primeiro ministro do Paquistão, Yousuf Raza Gilani, disse nesta segunda-feira, 9, que seu país está determinado a eliminar o terrorismo. Em um discurso no Parlamento paquistanês, o premiê lembrou que a Al-Qaeda não nasceu no país asiático.

 

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Gilani disse que as acusações de cumplicidade com Osama Bin Laden, morto no país, e de incompetência por parte do governo e do serviço secreto paquistanês são "absurdas" e que será aberta uma investigação sobre a presença do líder da Al-Qaeda no Paquistão.

 

"Estamos decididos a averiguar essa questão a fundo, esclarecer como, quando e o porquê da presença de Osama Bin Laden em Abbottabad (a cidade onde foi morto na madrugada da segunda-feira, 2, pelas forças especiais dos EUA). Por isso abrimos essa investigação", afirmou Gilani.

O premiê negou que exista uma "divisão" entre as instituições paquistanesas - em alusão ao poder civil, o destacamento militar e o aparelho de segurança - e defendeu o trabalho antiterrorista de seu país, em particular da agência de serviços secretos (ISI), em meio às críticas americanas e internacionais por seu país não ter detectado e permitido a presença de Bin Laden no Paquistão. 

 

A morte do líder da Al-Qaeda aumentou a tensão entre Islamabad e Washington, cujos laços são importantes na luta contra militantes islâmicos e na guerra no Afeganistão.

 

As relações entre os dois países já estavam frágeis devido a uma série de disputas diplomáticas sobre assuntos como um grande ataque feito por um avião teleguiado norte-americano em março e Raymond Davis, um agente da CIA morto a tiros por dois paquistaneses na cidade de Lahore, em janeiro.

 

No que pode causar uma elevação ainda maior nas tensões, uma emissora de televisão paquistanesa e um jornal publicaram o que disseram ser o nome de um chefe secreto da CIA em Islamabad. A embaixada norte-americana se negou a comentar, mas disse que ninguém com aquele nome trabalhou na missão no Paquistão.

 

No ano passado, após o chefe dos Inter-Serviços de Inteligência (ISI, na sigla em inglês) do Paquistão ter sido nominalmente citado em um processo civil norte-americano sobre os ataques na cidade indiana de Mumbai, o então líder do posto da CIA em Islamabad foi também revelado pela imprensa paquistanesa, sendo obrigado a deixar o país.

 

Muros altos

 

O Paquistão ficou em uma situação embaraçosa com a descoberta do homem mais procurado do mundo em um complexo com muros altos em Abbottabad, uma cidade localizada apenas 50 quilômetros ao norte da capital e muito perto da principal academia militar do país. Tal fato gerou acusações de incompetência do serviço de inteligência ou cumplicidade, que estariam ajudando Bin Laden a se esconder no local.

 

"Se ele realmente estava vivendo naquele complexo há cinco anos, então por que nossas agências não descobriram?", afirmou o ex-ministro das Relações Exteriores, Khursheed Mehmood Kasuri. "Isso deu a indivíduos anti-Paquistão a chance de nos ridicularizar."

 

Gilani culpou a fuga de Bin Laden por quase uma década, após o 11 de setembro, a uma "falha global de inteligência", e os EUA evitaram acusar o Paquistão de dar abrigo propositalmente a Bin Laden.

 

Com AP, Reuters e Efe

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