Paquistão: Filho de Benazir Bhutto lança-se na política

O filho de 24 anos da falecida primeira-ministra paquistanesa Benazir Bhutto lançou nesta quinta-feira sua carreira política com um afiado discurso diante de milhares de simpatizantes que participavam das cerimônias programadas para marcar o quinto aniversário do assassinato de sua mãe.

AE, Agência Estado

27 de dezembro de 2012 | 17h41

O discurso de Bilawal Bhutto Zardari ocorre apenas alguns meses antes das eleições gerais no Paquistão. Ele ainda é jovem demais para se candidatar. No Paquistão, a idade mínima para se ingressar formalmente na carreira política é de 25 anos. Apesar disso, acredita-se que a presença de Bhutto Zardari na campanha venha a ser positiva para o Partido do Povo do Paquistão, afetado pela perda de popularidade desde que chegou ao poder, há cinco anos, em meio a dificuldades econômicas e a choques entre o exército e radicais islâmicos.

Durante a madrugada, antes do discurso de Bhutto Zardari, dezenas de militantes atacaram dois postos de polícia em áreas tribais do noroeste do país. Dois policiais morreram e 21 estão desaparecidos. Autoridades locais acreditam que os desaparecidos tenham sido sequestrados.

Bhutto Zardari foi nomeado presidente do Partido do Povo do Paquistão depois da morte de sua mãe, mas limitou-se a agir nos bastidores até agora, enquanto concluía seus estudos na Universidade Oxford, na Grã-Bretanha.

"Eu gostaria de agradecer a Deus por ele ter concluído seus estudos, mas agora é a hora de aprender mais", declarou seu pai, o presidente do Paquistão, Asif Ali Zardari, à multidão reunida em Garhi Khuda Bakhsh, na província de Sindh, onde fica o mausoléu da famílias Bhutto. "Ele precisa estudar o Paquistão, aprender com vocês e trabalhar de acordo com o que pensam."

A família Bhutto tem desempenhado papel de destaque na política paquistanesa desde a independência do país, há 65 anos.

"Se você mata um Bhutto, milhares de outros Bhuttos vão emergir", disse Bilawal Bhutto Zardari em seu discurso. Ele também alfinetou o judiciário, que vive um momento de choque com o executivo, questionando por que as pessoas presas por suspeita de envolvimento no atentado que resultou na morte de sua mãe, cinco anos atrás, ainda não foram levadas a julgamento. As informações são da Associated Press.

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