Paquistão impede comboio que ia para aldeia bombardeada pelos EUA

Centenas de agentes de segurança do Paquistão impediram nesta segunda-feira que um comboio de 2.000 militantes islâmicos chegasse à vila de Damadola, cena de um ataque de mísseis dos EUA, a primeira iniciativa de autoridades para tentar conter crescentes protestos antiamericanos.O comboio, liderado por políticos de uma coalizão religiosa de oposição, partiu da capital Islamabad e foi bloqueado por policiais armados em Yukka Ghund, a cerca de 30 km de Damadola.Os militantes voltaram para Islamabad depois de fazer discursos e gritarem "Abaixo os EUA!" e "Abaixo Musharraf!".O presidente general Pervez Musharraf é um fiel aliado de Washington em sua guerra contra o terrorismo. No dia 13 de janeiro aviões não tripulados dos EUA bombardearam três casas e mataram pelo menos 18 pessoas em Damadola, num ataque da CIA contra supostos líderes da rede terrorista Al-Qaeda que estariam no local.O ataque enfureceu muitos nesta nação islâmica e tem provocado protestos quase diários.Segundo oficiais paquistaneses e americanos, o alvo do ataque seria o número 2 da Al-Qaeda, Ayman al-Zawahri, que não teria comparecido a um jantar. Agentes da inteligência do Paquistão, que pediram para não ser identificados, afirmaram que quatro líderes da Al-Qaeda, entre eles um fabricantes de bombas, morreram nas explosões.Entretanto, o primeiro-ministro Shaukat Aziz disse no domingo que eram "bizarras" notícias dando conta que líderes da Al-Qaeda estavam na vila, localizada perto da fronteira com o Afeganistão. Ele acrescentou que os EUA não coordenaram com o Paquistão o ataque.Moradores garantem que nenhum dos mortos, entre eles mulheres e crianças, eram membros da Al-Qaeda.Também hoje, a assembléia da Província da Fronteira do Noroeste aprovou por unanimidade um pedido ao governo federal para expulsar do país o embaixador dos EUA, Ryan Crocker. É improvável que o presidente Musharraf acate o pedido da província.

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