Paquistão inicia ofensiva contra militantes no Waziristão do Sul

O Exército paquistanês iniciou neste sábado uma operação por terra contra militantes do Taliban na região do Waziristão do Sul, na fronteira com o Afeganistão, com soldados avançando em três direções, disseram autoridades.

HAFIZ WAZIR, REUTERS

17 de outubro de 2009 | 10h50

A operação é realizada após uma série de ataques militantes, que começou no dia 5 de outubro com uma explosão suicida em um escritório da ONU (Organização das Nações Unidas) em Islamabad, e incluiu ataques aos quartéis-generais do Exército, polícia e população, que deixaram mais de 150 mortos.

Em uma demonstração de unidade antes da ofensiva, governo e líderes de partidos políticos deram apoio total aos militares na sexta-feira, prometendo eliminar os militantes e restaurar a ordem do Estado.

"A operação por terra começou", afirmou por telefone à Reuters Tariq Hayat Khan, secretário das regiões étnicas tribais de Pachtun, no Paquistão. Ele não deu detalhes e um porta-voz dos militares não estava disponível para comentar.

Autoridades da inteligência e do governo disseram que tropas estão se movendo em três direções e alguns combates ocorreram quando elas encontraram resistência. Quatro soldados foram feridos, afirmaram autoridades.

O Exército informou que cerca de 28.000 soldados estão prontos para derrotar 10.000 talibans. Cerca de 500 comandos chegaram à região na sexta-feira, disseram autoridades de segurança.

O Exército tem usado há meses aeronaves e artilharia para diminuir as defesas dos militantes, enquanto movimentava tropas para fechar a região.

Os ataques foram intensificados nos últimos dias, enquanto milhares de civis fugiam.

Ashfaq Kayani, general do Exército, conversou com governo e líderes partidários na sexta-feira e todos concordaram que os militantes são uma grande ameaça à soberania e à integridade do Estado.

"O consenso nacional está reafirmado para estabelecer e manter a ordem do Estado e eliminar esses elementos", informou o gabinete do primeiro-ministro, Yusuf Raza Gilani.

Mais de 80.000 civis fugiram do Waziristão do Sul antes da ofensiva, e a agência de refugiados da ONU disse que mais pessoas saíram nesta semana.

Aparentemente, os serviços telefônicos foram cortados na região.

(Reportagem adicional de Alamgir Bitani Kamran Haider)

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