Paquistão inicia volta ao regime democrático

Três anos depois de um golpe militar,o Paquistão deu início hoje a uma cambaleante volta aoregime democrático com a posse oficial do Parlamento eleito em10 de outubro. Mas o presidente Pervez Musharraf, um aliado-chave na campanhaliderada pelos Estados Unidos contra a Al-Qaeda e o Taleban,continua sendo a figura política mais poderosa no país, comautoridade para dissolver o Parlamento caso ele saia da linha.Ele foi empossado para um novo mandato de cinco anos mais cedohoje. Os parlamentares debateram brevemente se fazia sentido assumiro mandato sob uma constituição que foi mudada pelo presidentemilitar. Mas no fim eles aceitaram, levantando as mãos e jurandorespeitar a constituição. O novo Legislativo, no entanto, deve enfrentar um período deinstabilidade política. Os líderes dos principais partidos nãoconseguiram chegar a um acordo para formar um governo civil decoalizão. O general Pervez Musharraf liderou um golpe contra o governocivil no dia 12 de outubro de 1999 e depois dissolveu oParlamento. Em abril deste ano, seu governo foi legitimado num contestadoreferendo, no qual Musharraf obteve 97% dos votos. A oposiçãoboicotou o referendo. Ainda não se sabe quem irá formar o governo do Paquistão, jáque nenhum partido conseguiu uma clara maioria nas eleições. O maior bloco no legislativo é o pró-Musharraf Liga MuçulmanaPaquistanesa Qaid-e-Azam, que controla 103 cadeiras na Câmarabaixa de 342 assentos. O Partido do Povo Paquistanês, da exiladaprimeira-ministra Benazir Bhutto, é o segundo com 80 cadeiras,seguido por uma aliança de partidos direitistas religiosos, com59 cadeiras. Independentes e pequenos partidos controlam outras 100. A eleição do presidente do Parlamento ocorrerá nasegunda-feira. Enquanto isso, os políticos tentam formar umacoalizão governista. A aliança de seis partidos religiosos é atualmente o fiel dabalança, e tem negociado com os dois maiores partidos. Apesar de suas críticas à direita religiosa em discursos noOcidente, Bhutto concordou em formar uma coalizão com ela, juntocom a Aliança para a Restauração da Democracia. Se eles formarem um governo, o primeiro-ministro seria MaulanaFaz-ur Rahman, cujo partido é pró-Taleban e um ferrenho críticodos Estados Unidos. O partido pró-Musharraf também negocia com os religiosos, maseles não têm conseguido chegar a um acordo sobre um candidato aprimeiro-ministro, nem sobre o papel de Musharraf.

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