Paquistão interdita entidade islâmica e prende ativistas

Governo diz que fez interrogou dezenas de membros da rede de caridade ligada ao grupo acusado por ataques

Agências internacionais,

12 de dezembro de 2008 | 09h59

O Paquistão realizou nesta sexta-feira, 12, novas prisões e interrogou dezenas de membros da rede de caridade Jamat-ud-Dawa, acusada de servir de fachada para o Lashkar-i-Taiba (Exército dos Puros) - grupo fundamentalista islâmico que teria perpetrado a onda de ataques a Mumbai, indicaram fontes oficiais. O Paquistão pediu ainda à Índia a entrega de provas para continuar com as investigações dos atentados, assegurou em comunicado o ministro de Relações Exteriores paquistanês, Shah Mehmood Qureshi.   As ações, ocorridas durante a noite, ocorreram depois de Islamabad anunciar que iria cumprir a decisão da ONU que coloca Hafiz Saeed, fundador do grupo militante Lashkar-e-Taiba, numa lista de pessoas e organizações vinculadas à Al-Qaeda e ao Taleban, disseram autoridades. Um dia antes do decreto de banimento de Islamabad, o Conselho de Segurança da ONU havia declarado formalmente que o Jamat-ud-Dawa está envolvido em atividades terroristas. A medida prevê sanções aos integrantes do grupo, como proibição de viagens e congelamento de bens fora do Paquistão. O Conselho incluiu Saeed e outros quatro membros do grupo na lista de pessoas vinculadas à Al-Qaeda e ao Taleban. A Jamaat-ud-Dawa foi criada em 2002 por Hafiz Said, após a proibição do Lashkar.   Saeed, que fundou o Laskhar em 1990 e deixou o grupo oficialmente em 2001, dias antes da entidade ser proibida pelo governo, está sob prisão domiciliar, segundo um de seus porta-vozes. Em Muzaffarabad, capital da Caxemira paquistanesa, a polícia invadiu a sede da Jamaat-ud-Dawa, entidade beneficente considerada uma fachada do Lashkar. "Por ordens do Ministério do Interior, lacramos sua sede principal e todos os seus bens, inclusive duas escolas e um seminário, e colocamos seu líder regional sob prisão domiciliar", disse Chaudhry Imtiaz, alto-funcionário do governo. A polícia também invadiu escritórios da Jamaat-ud-Dawa em outros lugares do Paquistão, como Multan, Lahore, Karachi e Quetta, além de várias localidades da Caxemira. Um porta-voz da Jamaat disse que cem funcionários foram presos só na Província da Fronteira Noroeste.   O chanceler paquistanês confirmou que seu governo ilegalizou o grupo radical Jamaat-ud-Dawa, depois que o Conselho de Segurança da ONU incluiu a organização na "lista negra" de terroristas internacionais e voltou a pedir para que a Índia entregue as provas que possui sobre os ataques. "Nossas próprias investigações não podem avançar a partir de certo ponto se não recebermos informação crível e provas sobre os atentados de Mumbai", disse Qureshi.   "O governo do Paquistão já iniciou suas próprias investigações. O Paquistão tem a firme convicção de não permitir o uso de seu território para atos de terrorismo. O próprio Paquistão foi vítima do terrorismo", disse Qureshi.   A Índia tinha exigido nesta quinta-feira ao Paquistão mais medidas contra os terroristas, para conseguir o "desmantelamento completo" de sua infra-estrutura em solo paquistanês, a qual atrela aos atentados registrados de Mumbai. Em um debate perante o Parlamento, o primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh, ameaçou o Paquistão de que levaria até a "conclusão lógica" a luta que iniciou contra as redes terroristas supostamente culpadas dos atentados. A Índia afirma que os ataques foram cometidos pelo grupo separatista caxemiriano Lashkar-e-Taiba, que opera a partir do Paquistão e supostamente está relacionado com a organização beneficente Jamaat-ud-Dawa.   "Apesar de nossos requerimentos, nenhuma prova ou informação foi compartilhada pela Índia com nosso governo até agora", destacou Qureshi em resposta. "Nossas propostas pelo estabelecimento de um comitê conjunto e investigações conjuntas foram feitas em um sério esforço para avançar em uma área que preocupa tanto Paquistão quanto Índia", acrescentou.   Qureshi reiterou que o Paquistão fará suas investigações de acordo com suas próprias leis. Até agora, as autoridades detiveram cerca de 20 membros do LeT, mas deixaram claro que eles não serão entregues à Índia, e sim serão julgados no Paquistão.

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