Paquistão investigará presença de Bin Laden no país, diz premier

Raza Gilani diz que governo está 'determinado a ir a fundo sobre a presença de Bin Laden em Abbottabad'

BBC Brasil, BBC

09 de maio de 2011 | 19h51

O primeiro-ministro do Paquistão, Yusuf Raza Gilani, durante discurso no Parlamento

 

ISLAMABAD - O premiê do Paquistão, Yusuf Raza Gilani, disse nesta segunda-feira, 9, que seu país vai investigar como Osama Bin Laden conseguiu viver, por anos e sem ser identificado, na cidade paquistanesa de Abbottabad. A declaração foi feita ao Parlamento do país.

 

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Mas ele disse que são "absurdas" as alegações de que o Paquistão foi cúmplice ou incompetente no caso. O presidente americano, Barack Obama, havia questionado Islamabad sobre uma eventual rede de apoio a Bin Laden dentro do Paquistão, que poderia incluir autoridades do governo.

 

Em comunicado a parlamentares paquistaneses a respeito da operação americana que resultou na morte de Bin Laden, em 1º de maio, Gilani disse que o tenente-general Javed Iqbal vai comandar as investigações sobre possíveis falhas em detectar a presença do extremista no país. "Estamos determinados a ir a fundo sobre a presença de Osama Bin Laden em Abbottabad", declarou o premiê.

Inteligência

O correspondente da BBC em Islamabad, Syed Shoaib Hasan, afirma que o discurso de Gilani pode reduzir a ira da opinião pública paquistanesa com relação ao Exército do país, mas deixa muitas perguntas em aberto, em especial sobre como Bin Laden pode ter vivido no país sem o conhecimento do ISI, serviço de inteligência paquistanês.

Há suspeitas de que o ISI, que tem em seu histórico elos com grupos militantes, possa ter sabido que Bin Laden estava no Paquistão. Mas Gilani disse ao Parlamento que tanto o ISI como o Exército gozam de plena confiança do Poder Executivo.

 

Ele agregou que a operação militar americana foi um ato de "violação de soberania" e sugeriu que os EUA tiveram responsabilidade na criação da Al-Qaeda durante o combate à invasão soviética ao Afeganistão, nos anos 1980. "Não convidamos a Al-Qaeda ao Paquistão", disse Gilani, atribuindo a demora de quase dez anos dos EUA em capturar Bin Laden a uma "inteligência falha de todas as agências do mundo".

 

O premier também disse que "foi o ISI que passou pistas aos EUA que lhes permitiu usar tecnologia superior e focar as áreas onde Bin Laden foi encontrado". O porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, disse que Washington levará em conta as críticas paquistanesas, mas "não pedirá desculpas pelas ações".

Carney agregou que os EUA querem ter acesso às três esposas de Bin Laden que estavam na mansão onde o extremista foi morto. Elas estão sob custódia das autoridades paquistanesas. Ao mesmo tempo, um grupo de cerca de 500 pessoas protestou em áreas tribais do Paquistão, com críticas à morte de Bin Laden pelas forças americanas e ao governo paquistanês.

 

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