Paquistão liberta 3 mil opositores detidos no estado de exceção

Conselho Eleitoral confirma a realização das eleições parlamentares no país na data sugerida por Musharraf

Associated Press e Efe,

20 de novembro de 2007 | 08h09

Autoridades paquistanesas afirmaram nesta terça-feira, 20, que começaram a libertar milhares de opositores presos desde o início do decreto do estado de emergência foi imposto no início do mês. O anúncio foi feito no mesmo dia em que a Comissão eleitoral do país confirmou que as eleições parlamentares serão realizadas no dia 8 de janeiro.   Veja também: Cronologia do estado de emergência no Paquistão   Segundo informações, pelo menos 3 mil opositores foram soltos. Segundo o primeiro-ministro interino do país,  Mohammedmian Soomro, a libertação dos milhares de presos políticos no Paquistão durante o estado de exceção terminará ainda nesta semana.   As libertações aconteceram algumas horas depois de a Suprema Corte, formada por juízes escolhidos pelo presidente do país, o general Pervez Musharraf, rejeitar na segunda-feira os questionamentos legais sobre a polêmica reeleição do presidente em 6 de outubro. A decisão permite que Musharraf - que tomou o poder por meio de um golpe em 1999 - permaneça mais cinco anos como presidente.   O ex-jogador de críquete e um dos líderes oposicionistas Imran Khan não está entre os presos liberados. Khan começou uma greve de fome na segunda-feira em protesto contra o estado de emergência decretado por Musharraf para exigir a reintegração dos juízes destituídos. Sua ex-mulher, a socialite britânica Jemima Khan, disse que o líder opositor planeja manter o protesto até que os juízes voltem à Suprema Corte e o estado de emergência seja levantado. Khan foi preso na semana passada após participar de um protesto na Universidade de Punjab.   No sul do país, autoridades libertaram pelo menos 300 pessoas, incluindo advogados, ativistas de direitos humanos e apoiadores da ex-primeira-ministra Benazir Bhutto, uma das rivais de Musharraf.   Eleições     O presidente da Comissão Eleitoral, Mohammed Farooq, explicou que serão eleitos os membros das assembléias nacionais e provinciais em 8 de janeiro, como estava previsto. Segundo ele, mais de 80 milhões de eleitores vão às urnas. A data havia sido recomendada no domingo pelo presidente paquistanês.   Na quarta-feira começa o prazo para que os partidos registrem suas candidaturas. Após um período de deliberação, os candidatos poderão retirar seus nomes até 15 de dezembro. A lista final será publicada no dia 16.   Faratullah Babar, porta-voz do Partido Popular do Paquistão (PPP), liderado pela ex-primeira-ministra Benazir Bhutto, não confirmou se a legenda vai disputar a eleição. "Ainda não decidimos. O boicote às eleições é uma possibilidade que está aberta", disse Babar ao canal Dawn.   Arábia Saudita   O presidente do Paquistão, Pervez Musharraf, deixou o país para uma visita de dois dias à Arábia Saudita, onde deve se reunir com o rei Abdullah, segundo informou o canal de televisão paquistanês Geo TV.   Oficialmente, Musharraf discutirá com o rei Abdullah assuntos de cooperação econômica e de interesse nacional. Mas a Arábia Saudita abriga o ex-primeiro-ministro paquistanês Nawaz Sharif, deportado do Paquistão em setembro, após uma tentativa de volta de seu exílio, que já dura sete anos.   "Não há nenhum encontro previsto entre os dois. Sharif se nega a se reunir com Musharraf enquanto durarem a lei marcial no Paquistão e a destituição dos juízes. Não haverá reunião a menos que a Constituição seja restaurada", disse um porta-voz do partido do ex-governante, Ahsan Iqbal.   No dia 13 de novembro, Musharraf enviou uma equipe de negociação à Arábia Saudita para se reunir com Sharif, que lidera a Liga Muçulmana do Paquistão-Nawaz (PML-N), na busca de uma "reconciliação" política.

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