Paquistão liberta 8 militantes taleban Traidores sedam e matam policiais afegãos

Tem aumentado o caso de militantes infiltrados nas forças de segurança pelo Taleban para cometer ataques ou de agentes que buscam vingança

CABUL, O Estado de S.Paulo

02 de janeiro de 2013 | 02h06

Uma série de casos de traição deixou pelo menos 17 policiais afegãos mortos nas últimas duas semanas - todos assassinados enquanto dormiam, e pelas mãos de alguém que conheciam.

Na crise que começou no final de 2011, o New York Times contabilizou 86 assassinatos do gênero no ano passado, mas o total pode ser mais elevado - do que entre os americanos ou outros soldados da Otan, que perderam ao menos 62 efetivos até agora.

Ao contrário da maioria dos ataques contra tropas estrangeiras, conhecidos como mortes "verdes contra azuis", os crimes entre afegãos, "verdes contra verdes", foram claros casos de infiltração de rebeldes do Taleban ou de soldados que mudaram de lado. Como aconteceu nos últimos três episódios, as vítimas pertenciam a unidades da polícia, seguindo mais ou menos o mesmo padrão: o Taleban infiltra um elemento numa unidade, ou conquista a confiança de um integrante da unidade que, então, mata seus camaradas enquanto dormem. Frequentemente, as vítimas são envenenadas antes ou drogadas no jantar.

"Sempre digo ao cozinheiro que não permita a entrada de nenhum policial na cozinha", disse Taaj Mohammad, comandante de um posto de controle da fronteira perto do atacado em Kandahar atacado no dia 18. "Este incidente acaba realmente com a confiança entre os policiais. Agora não confiamos mais em ninguém, até mesmo naqueles com os quais trabalhamos durante anos no posto", disse.

O incidente mais recente ocorreu na quinta-feira passada por volta das 3 horas, em Tirin Kot, capital da Província de Oruzgan, no sul do Afeganistão. Segundo Fareed Ayal, porta-voz da polícia provincial, um guarda chamado Hayat Khan, que mantinha contato com os taleban por motivos religiosos, esperou até que os outros policiais do posto fossem dormir e depois chamou os rebeldes por celular e os deixou entrar. Apunhalaram o único policial que estava de guarda, mas ele conseguiu dar o alarme e despertar alguns dos outros policiais. No tiroteio que se seguiu, quatro policiais foram mortos e oito ficaram feridos. Khan e seus colegas taleban escaparam.

Em um ataque na Província de Jawzjan, as vítimas faziam parte de uma unidade de polícia afegã local cujo comandante tivera anteriormente ligações com o Taleban. O comandante que matou os homens durante o sono, Dur Mohammad, fugiu, mas seus parentes foram detidos e estavam sendo interrogados.

Em alguns casos de ataques, ressentimentos pessoais podem levar os autores a passar para o lado do Taleban. É o que aparentemente aconteceu no caso de Noor Agha, um jovem que assassinou oito guardas de fronteira em seu posto perto de Spinboldak, entre Kandahar e o Paquistão. A polícia informou que Agha era obrigado pelo comandante do posto a servir-lhe de escravo sexual. Na noite do ataque, Agha preparou o jantar para a polícia. Ele e dois amigos colocaram drogas na comida e atiraram em todo mundo. Os três fugiram e uniram-se aos insurgentes no Paquistão. / NYT

O Paquistão libertou ontem outros oito militantes do Taleban, em um indício que Islamabad está disposto a facilitar os esforços dos governos dos Estados Unidos e do Afeganistão para negociar um acordo de paz com os militantes islâmicos. Entre os libertados está o ex-ministro da Justiça afegão Nooruddin Turabi e Abdul Bari, ex-governador da Província de Helmand, conhecida como reduto da insurgência taleban. Em novembro, o Paquistão libertou 18 membros do Taleban a pedido do governo afegão. O Paquistão é considerado peça-chave na reconciliação afegã por causa de suas relações históricas com os líderes taleban. / AP

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