REUTERS/PTV via Reuters TV
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Paquistão liberta piloto indiano capturado na Caxemira

Tenente-coronel Abhinandan Varthaman cruzou a pé a fronteira entre os dois países no que foi descrito pelo premiê paquistanês, Imran Khan, como um 'gesto de paz' de seu país para evitar a escalada militar na região

Redação, O Estado de S.Paulo

01 de março de 2019 | 14h55

WAGAH, PAQUISTÃO - O Paquistão libertou nesta sexta-feira, 1º, um piloto indiano capturado esta semana após um confronto aéreo na Caxemira, um "gesto de paz" em relação à Índia que pode diminuir a tensão entre as potências nucleares.

O tenente-coronel Abhinandan Varthaman, capturado na quarta-feira na Caxemira, atravessou a pé a passagem de fronteira de Wagah, localizada entre as cidades de Lahore, no Paquistão, e Amritsar, na Índia, segundo imagens transmitidas ao vivo pela TV.

Durante o dia, milhares de pessoas se reuniram do lado indiano da fronteira para receber o piloto, celebrado como herói em seu país. Contudo, antes da chegada do militar, o grupo foi dispersado.

A libertação do militar, anunciada um dia após sua captura pelo primeiro-ministro paquistanês Imran Khan, foi apresentada como um "gesto de paz" após vários dias de crise.

Contudo, "nosso desejo de desescalada não deveria ser interpretado como uma fraqueza" pelo primeiro-ministro indiano, o nacionalista Narendra Modi, advertiu Imran Khan.

Por sua vez, a Índia reagiu, afirmando que  continuava disposta a "responder a qualquer provocação do Paquistão", ao mesmo tempo que exigia a libertação do piloto. 

Modi aspira a um segundo mandato nas eleições de abril e maio e está sob pressão do público indiano para ser inflexível contra o Paquistão.

Disparos de morteiros

A crise começou na terça-feira, quando aviões da Força Aérea indiana entraram no espaço aéreo paquistanês para um "ataque preventivo" contra o que Nova Délhi apresentou como um grande campo de treinamento de um grupo islamita baseado no Paquistão, o Jaish e Mohammed (JeM). Em 14 de fevereiro, um atentado suicida que matou 40 paramilitares na Caxemira indiana foi reivindicado pelo JeM.

Continuou na quarta-feira com incursões de aeronaves dos dois países e o anúncio da perda de aeronaves e a captura do piloto. Nesta sexta-feira, tiros de morteiros foram disparados de ambos os lados da linha de demarcação da Caxemira, segundo autoridades locais.

Por causa da crise, o Paquistão fechou seu espaço aéreo na quarta-feira. Mas, nesta sexta, a Autoridade da Avião Civil (ACC) indicou que reabria parcialmente "às 18h00 (10h00 de Brasília)". 

As forças indianas combatiam nesta sexta milicianos na Caxemira, em confrontos que deixaram sete mortos ao longo da linha de demarcação, segundo indicou um policial, incluindo dois milicianos, quatro soldados e um civil.

Nova Délhi acusa seu vizinho de apoiar as infiltrações e a luta armada na Caxemira indiana. Índia e Paquistão travaram três guerras, duas delas por causa de Caxemira, uma região das montanhas do Himalaia com uma maioria muçulmana dividida entre os dois países que reivindicaram a soberania desde a independência em 1947. / AFP

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