Paquistão manda tropas para conter avanço do Taleban no país

Militantes assumem o controle de distrito nos arredores da capital; policial morre e outro é ferido em ataque

Agências internacionais,

23 de abril de 2009 | 09h04

Grupos paramilitares do Paquistão foram enviados para proteger edifícios governamentais e pontes no distrito de Buner, localizado a cerca de 100 quilômetros da capital Islamabad, onde militantes taleban assumiram o controle da região patrulhando ruas e mercados. Nesta quinta-feira, 23, homens armados

realizaram um ataque e mataram um policial na área, segundo as autoridades.

 

O ataque provavelmente elevará a preocupação sobre a viabilidade de um acordo respaldado pelo governo para que se imponha a lei islâmica em uma vasta região do noroeste do país em troca de um cessar-fogo com os extremistas do Taleban na província vizinha de Buner, o Vale do Swat. O envio das tropas ampliou as críticas de que o acordo somente serviria para fortalecer os extremistas, que ampliaram seu domínio sobre outras zonas da província, fronteiriça com o Afeganistão.

 

Seis pelotões de fronteira chegaram na quarta-feira a Buner, segundo Syed Mohammed Javed, um funcionário do governo que supervisiona a área em que houve o acordo de paz. Não foi informado se a mobilização era uma resposta direta à presença do Taleban, mas ele também disse que anciões tribais se reuniam para avaliar a situação. Nesta quinta-feira, homens armados dispararam contra um comboio de segurança que incluía alguns guardas de fronteira. No confronto morreu um policial e outro ficou ferido, na zona de Totalai, segundo Hukam Khan, um membro da polícia da área.

 

O major general Athar Abbas, porta-voz do Exército do Paquistão, insistiu que a situação em Buner não era tão ruim quanto alguns relatos, apontando que os milicianos controlam menos de 25% do distrito, principalmente no norte.

 

O governo central do Paquistão perdeu o controle do distrito de Swat após dois anos de uma violenta campanha para impor a rigorosa lei Sharia. Nos últimos dias, centenas de combatentes armados criaram postos de controles e ocuparam mesquitas em Buner, ao tentando conseguir um maior controle na região, elevando a preocupação mundial e suscitando o que Washington tem chamado como "ameaça existencial" para nação que possui armas nucleares.

 

Na véspera, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, afirmou que o avanço dos taleban representa uma "ameaça existencial" para o Paquistão, e exigiu a rejeição de uma política que ceda terreno aos terroristas. Na primeira audiência na Comissão de Relações Exteriores da Câmara de Representantes, Hillary expressou preocupação com "a gravidade da ameaça existencial que representa para o Estado do Paquistão os contínuos avanços (dos taleban)".

 

Apesar de a secretária americana não ter dado mais detalhes, as autoridades dos Estados Unidos expressaram inquietação com o avanço dos militantes no distrito muito próximo à capital paquistanesa. A diplomata pediu aos paquistaneses, inclusive às vítimas da diáspora, que "denunciem energicamente uma política que está cedendo mais e mais terreno" a insurgentes que tentam derrubar o governo.

 

O Paquistão, um firme aliado americano na região, ocupa um lugar de destaque na luta dos EUA contra a Al-Qaeda, e o governo de Obama busca impedir que o país se torne santuário da rede terrorista.

 

Caminhão da Otan

 

Pelo menos seis caminhões-pipa com combustível foram destruídos hoje em um novo ataque de insurgentes contra um centro de provisões nas cercanias de Peshawar (no norte do Paquistão) para as forças da Otan destacadas no vizinho Afeganistão, informou uma fonte policial.

 

O ataque aconteceu esta madrugada por volta das 3h30 locais (19h30 da quarta-feira em Brasília), na região de Chakani, situada a 8 quilômetros de Peshawar, capital da província da Fronteira do Noroeste, disse a fonte, que pediu anonimato. "Estes centros estão expostos a contínuos ataques dos taleban. A segurança é fornecida por companhias privadas, mas é insuficiente", explicou o porta-voz policial. A fonte acrescentou que nenhuma pessoa ficou ferida e que as autoridades ordenaram o início de uma investigação sobre o ocorrido.

 

Segundo alguns meios de comunicação paquistaneses, a ação insurgente causou perdas próximas a 600 mil litros de combustível. O Paquistão é a principal via de provisão de mantimentos e combustível para abastecer as forças da Aliança Atlântica e da coalizão americana destacadas no Afeganistão. Diante do aumento dos ataques, os Estados Unidos criaram vias alternativas por países da região central da Ásia e pela Rússia, mas a maior parte das provisões continuará sendo transportada através do Paquistão.

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