Paquistão mata 100 rebeldes

Ação é lançada em meio a aumento de tensão com EUA

AP e Reuters, Islamabad, O Estadao de S.Paulo

12 de setembro de 2008 | 00h00

Forças de segurança paquistanesas mataram ontem cerca de 100 rebeldes ligados à Al-Qaeda durante confrontos perto da fronteira com o Afeganistão, informou um funcionário do governo de Islamabad. A ofensiva foi lançada em meio ao aumento de tensões com os EUA sobre como lidar com a insurgência. Os choques ocorreram em Bajaur, região que, segundo analistas, serve de refúgio para líderes da Al-Qaeda e do Taleban. "Entre 80 e 100 militantes foram mortos, muitos eram estrangeiros", disse anonimamente um funcionário do governo, acrescentando que dois soldados também morreram. Nas últimas semanas, mais de 600 rebeldes foram mortos em Bajaur, que tem sido palco dos maiores confrontos entre militantes e forças do governo. É de lá que muitos rebeldes partem para o Afeganistão para atacar forças do governo e da Organização para o Tratado do Atlântico Norte (Otan). O Afeganistão, que enfrenta uma escalada de ataques, tem pressionado o governo de Islamabad para combater os rebeldes que agem livremente na região tribal. As ofensivas rebeldes também levaram os EUA a lançar incursões no Paquistão - estratégia que vem causando polêmica nos últimos dias.O jornal The New York Times informou ontem que o presidente americano, George W. Bush, autorizou secretamente, em julho, que suas forças lançassem ataques no Paquistão, sem a permissão de Islamabad. A informação indica que a Casa Branca não confia na capacidade do governo paquistanês - considerado um aliado-chave na luta contra o terror - em combater a insurgência em seu território.O recém-empossado presidente Asif Ali Zardari prometeu manter a parceria com o Ocidente na luta contra os militantes, criada após 11 de setembro de 2001, mas disse ser contra as incursões americanos em seu território. Militares dos EUA disseram que o país está perdendo no Afeganistão, onde a Al-Qaeda e o Taleban estão se reagrupando, e informaram que revisarão sua estratégia para combater rebeldes no Paquistão.

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