Paquistão minimiza importância de dossiê indiano

O primeiro-ministro do Paquistão, Yousuf Raza Gilani, minimizou a importância de um dossiê indiano sobre os ataques em Mumbai, afirmando que o documento contém apenas informações e "não evidências", informaram meios de comunicação oficiais. As observações de Gilani, feitas na noite de ontem ao Parlamento, enfureceram o governo indiano, que afirma que o dossiê contém evidências de que militantes paquistaneses realizaram os ataques que mataram 164 pessoas em novembro do ano passado.A Índia culpa especificamente o grupo militante Lashkar-e-Taiba, que teria ligações com a inteligência paquistanesa. Só recentemente o Paquistão reconheceu que o único atacante sobrevivente é paquistanês, mas insiste que nenhuma de suas agências estatais tiveram participação nos ataques. Sob pressão internacional, o Paquistão prendeu alguns suspeitos de vínculo com os ataques, mas continua a pedir que a Índia apresente provas que permitam processos legais contra os supostos envolvidos."Tudo o que foi recebido da Índia são informações. Eu digo informações porque não há evidências", disse Gilani, ao Parlamento na noite de terça-feira. O dossiê, entregue no dia 5 de janeiro, inclui as transcrições de ligações telefônicas feitas durante o cerco dos atacantes e seus mentores no Paquistão. Antes disso, a Índia havia entregado ao Paquistão uma carta do único agressor sobrevivente, Mohammed Ajmal Kasab, afirmando que ele e os outros nove atiradores eram paquistaneses. Em seu discurso, Gilani disse que o Paquistão continua a examinar o dossiê e pediu "cooperação pragmática" entre os dois lados. Em Nova Délhi, o ministro de Relações Exteriores, Pranab Mukherjee, chamou os comentários de Gilani de parte de "um contínuo modelo de evasivas e negações" sobre os ataques. "Isso reforça as já fortes dúvidas que existem sobre a posição paquistanesa sobre o terrorismo proveniente do país e em sua capacidade e disposição em cooperar com outros países no combate ao terrorismo", disse Mukherjee.CriseOs ataques de Mumbai deram início à última crise que afeta os laços entre dos dois vizinhos, que possuem armas nucleares. Índia e Paquistão já entraram em guerra três vezes desde que conquistaram a independência da Grã-Bretanha em 1947. Em particular, observadores paquistaneses advertiram que o incidente pode atrasar as tentativas de resolver questões como a disputa do território da Caxemira.Islamabad tem tratado a crise grosseiramente e as típicas respostas "olho por olho" dos dois lados não irão produzir resultados construtivos, disse Asad Durrani, ex-chefe da Agência de Inteligência Paquistanesa (ISI, na sigla em inglês), a principal agência de espionagem do Paquistão.Violência A violência continuou no Paquistão hoje, quando um homem armado, dirigindo uma motocicleta, atirou e matou quatro policiais nas proximidades da cidade de Quetta, na Província de Baluquistão, no sudoeste do país, disse Mohammed Ishtiaq, chefe de polícia local. A polícia continua a investigar o motivo do ataque. O Baluquistão é o palco de uma antiga disputa de grupos militantes que lutam por maior autonomia regional e maior participação nos lucros de seus recursos naturais. Em outro incidente, também nesta quarta-feira, uma bomba explodiu numa estrada, ferindo gravemente sete paramilitares no distrito de Dera Bugti, a cerca de 500 quilômetros ao leste de Quetta, disse o oficial de polícia Muhammad Ashfaq. Sarbaz Baluch, que afirma ser porta-voz do Exército Republicano de Baluque, um dos vários grupos militantes da província, disse que o grupo realizou o ataque como vingança depois que o pôster de um líder nacionalista Baluque assassinado foi retirado. Ele afirmou que quatro policiais foram mortos e seis ficaram feridos.

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