Paquistão não entregará suspeitos por ataques à Índia

Chanceler afirma que detidos serão julgados pela Justiça paquistanesa se ligação com atentados for provada

Agência Estado e Dow Jones,

09 de dezembro de 2008 | 08h41

O Paquistão afirmou nesta terça-feira, 9, que não entregará nenhum suspeito pelos ataques em Mumbai às autoridades indianas. As autoridades paquistanesas anunciaram a prisão de 15 pessoas, em uma operação contra uma organização de caridade islâmica ligada ao grupo militante Lashkar-e-Taiba.   Veja também: Zardari pede moderação da Índia antes de acusar o Paquistão Incêndio atinge andar de hotel alvo de atentados em Mumbai Índia jamais cauterizou as feridas de 1947   Nova Délhi várias vezes acusou o linha-dura Lashkar de estar por trás dos ataques do mês passado. Agressores com granadas e outros armamentos atacaram em vários pontos da capital financeira da Índia, matando 173 pessoas e ferindo mais de 300. A tensão cresceu entre os vizinhos - ambos com armas nucleares - após o incidente. A Índia exigiu que o Paquistão entregue os suspeitos. Porém o ministro das Relações Exteriores, xá Mehmood Qureshi, disse que isso está fora de cogitação.   "As prisões foram feitas para nossas próprias investigações. Mesmo se as alegações forem comprovadas contra qualquer suspeito, ele não será entregue para a Índia", afirmou Qureshi. "Nós procederemos contra aqueles presos de acordo com a lei paquistanesa."   Índia e Paquistão lutaram três guerras desde a independência de ambos da Grã-Bretanha, em 1947. Um quarto confronto ficou perto de ocorrer em 2001, após um ataque ao Parlamento indiano atribuído ao Lashkar-e-Taiba, que significa Exército dos Pios. Sob pressão internacional para agir após os ataques em Mumbai, o Paquistão realizou no domingo uma operação em um campo controlado pelo grupo de caridade Jammat-ud-Dawa e prendeu 15 pessoas. Muitos acreditam que essa organização seja ligada ao Lashkar. O Jammat é chefiado pelo fundador do Lashkar, Hafiz Saeed.   O Lashkar foi banido do Paquistão, mas a Índia acusa o vizinho por não combater o grupo, estabelecido para lutar contra o governo indiano na região da Caxemira. Nova Délhi também afirma que o Lashkar teve ligações com o serviço de inteligência do Paquistão e com a Al-Qaeda.   O ministro das Relações Exteriores paquistanês disse que o país não quer uma guerra, mas está pronto para se defender, caso seja necessário. "Nós não queremos a guerra, mas estamos totalmente preparados caso a guerra seja imposta a nós", afirmou Qureshi. Autoridades paquistanesas dizem estar interrogando um 16º suspeito, Zaki-ur-Rehman Lakhvi, preso no sábado. A mídia indiana disse que o único sobrevivente dos ataques em Mumbai citou Lakhvi como um dos principais mentores dos atentados.   A Índia já afirmou que todos os dez homens armados responsáveis pelos ataques a Mumbai partiram do Paquistão. Na segunda-feira, os Estados Unidos elogiou "alguns passos positivos" tomados por Islamabad no caso.   Zardari   O primeiro-ministro do Paquistão, Asif Ali Zardari, afirmou, em texto publicado nesta terça-feira no jornal The New York Times, que os ataques em Mumbai não eram dirigidos apenas contra a Índia, "mas também ao novo governo democrático do Paquistão e ao processo de paz com a Índia que nós iniciamos".   Zardari pediu o prosseguimento das negociações para a paz entre as "duas grandes nações de Paquistão e Índia". O primeiro-ministro disse se identificar com os indianos, também por ter perdido a mulher em um ataque, a ex-primeira-ministra Benazir Bhutto, que foi morta durante um comício de campanha em dezembro do ano passado. "Os terroristas que mataram minha mulher estão conectados por ideologia a esses inimigos da civilização". Além disso, Zardari também pediu moderação nos comentários. O premiê lembrou que seu país também é uma vítima do terror.

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