Paquistão não pode ser atacado 'por nossos amigos', diz Zardari

Presidente condena bombardeios dos EUA na fronteira afegã após seu país derrubar helicópteros americanos

AP e Reuters,

25 de setembro de 2008 | 18h53

O novo presidente paquistanês, Asif Ali Zardari, alertou nesta quinta-feira, 25, que não permitirá que o território de seu Estado seja "violado por nossos amigos", em uma clara referência aos ataques unilaterais que forças as americanas realizaram mais cedo na fronteira do país com o Afeganistão. Na ONU, ele afirmou que ataques como esses fortalecem os terroristas que os EUA e outras potências tentam combater.   Veja também: Soldados dos EUA e do Paquistão trocam tiros na fronteira afegã Militares paquistaneses atiram em helicópteros da Otan   O breve confronto começou quando forças paquistanesas abriram fogo contra dois helicópteros americanos que escoltavam forças terrestres na volátil região de fronteira. Os militares paquistaneses disseram que seus soldados fizeram disparos de advertência contra helicópteros que haviam invadido o espaço aéreo do país. Já os EUA afirmaram que os aparelhos estavam sobre território afegão.   "A rota de vôo dos helicópteros em momento nenhum os levou sobre o Paquistão", disse o porta-voz do Pentágono Bryan Whitman. "Este é um incidente lamentável. Só demonstra a importância da coordenação ao longo da fronteira. Os paquistaneses têm de nos fornecer uma melhor compreensão de por que isso ocorreu."   O general Athar Abbas, porta-voz militar paquistanês, disse que "houve dois helicópteros do Afeganistão que cruzaram para o território paquistanês. Nossos soldados dispararam tiros, esses helicópteros devolveram fogo e voaram de volta". Os EUA negaram que os helicópteros tenham reagido. Não houve vítimas nem danos.   A montanhosa fronteira entre Paquistão e Afeganistão é um dos cenários cruciais da luta contra a Al-Qaeda e o Taleban na região. Nas últimas semanas, os EUA realizaram freqüentes ataques com mísseis e incursões terrestres com ajuda de helicópteros em território paquistanês. Islamabad critica tais operações e diz que não vai tolerá-las.   Uma porta-voz militar dos EUA disse que os dois helicópteros OH-58 envolvidos no incidente faziam uma operação de rotina a cerca de 11,5 quilômetros da fronteira com o Paquistão, quando "receberam disparos de pequenas armas de fogo do posto militar paquistanês". Whitman afirmou que os EUA "evitaram um sério incidente."   Aumentando a confusão, o presidente paquistanês, Asif Ali Zardari, disse em Nova York que suas forças dispararam apenas sinalizadores de alerta, "para garantir que eles sabiam que haviam cruzado a linha de fronteira". Ao lado da secretária norte-americana de Estado, Condoleezza Rice, ele disse que é difícil notar quando se cruza a fronteira. "Sim, a fronteira é muito pouco clara", concordou Rice.   Os EUA decidiram suspender serviços consulares - como a concessão de vistos - no Paquistão devido a uma piora no ambiente de segurança, especialmente depois do atentado suicida que matou 54 pessoas no sábado no hotel Marriott em Islamabad. As autoridades disseram que a restrição consular não tem relação com o incidente dos helicópteros.

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