Paquistão opõe-se a acusações dos EUA e corteja a China

O Paquistão advertiu os Estados Unidos na terça-feira para que parem de acusar o país de fazer jogo duplo com os militantes islâmicos e, em meio a uma crise de relacionamento com seu aliado, elogiou a China como "amiga para todas as horas".

JOHN CHALMERS E CHRIS ALLBRITTON, REUTERS

27 Setembro 2011 | 14h35

Falando com exclusividade à Reuters, o primeiro-ministro paquistanês, Yusuf Raza Gilani, disse que qualquer ação militar unilateral dos EUA para caçar militantes da rede Haqqani dentro do Paquistão será uma violação da soberania de seu país.

Entretanto, ele minimizou uma série de questões da tensa relação com os EUA e não deu indicações de qualquer medida que o Paquistão possa tomar para aplacar a fúria em Washington.

O chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, o almirante Mike Mullen, que está prestes a deixar o cargo, descreveu na semana passada a rede Haqqani como uma "verdadeira arma" da agência de espionagem paquistanesa ISI e acusou Islamabad de dar apoio ao ataque de 13 de setembro do grupo contra a embaixada dos EUA em Cabul.

Atualmente, a rede Haqqani é a facção mais violenta de militantes do Taliban no Afeganistão.

"O envio de mensagens negativas, naturalmente, está incomodando meu povo", disse Gilani na entrevista, falando de seu gabinete em Islamabad. "Se há mensagens que não são apropriadas à nossa amizade, então naturalmente é extremamente difícil convencer meu público. Portanto, eles deveriam enviar mensagens positivas."

Depois dos comentários de Mullen, o Paquistão lançou um contra-ataque diplomático e tentou obter o apoio de seu aliado mais forte na região: a China.

Autoridades paquistanesas têm aumentado os elogios à China depois que seu ministro da Segurança Pública chegou ao país na segunda-feira para conversações no alto escalão.

"Somos amigos verdadeiros e contamos um com o outro", disse Gilani em diferentes comentários exibidos em redes de televisão depois da reunião com Meng Jianzhu na terça-feira.

As Forças Armadas, a instituição mais poderosa do Paquistão, também disseram que apreciam o apoio do vizinho gigante asiático. O chefe do Exército, o general Ashfaq Kayani, agradeceu a Meng pelo "apoio resoluto" da China.

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