Paquistão ordena operação para acabar com o Taleban no país

Primeiro-ministro pede apoio internacional para refugiados das áreas de confrontos; estima-se mais de 500 mil

Agências internacionais,

07 de maio de 2009 | 15h09

O primeiro-ministro paquistanês, Yousuf Raza Gillani, anunciou nesta quinta-feira, 7, que o Exército recebeu a ordem de combater os insurgentes no conflituoso Vale do Swat e em outros distritos com presença insurgente no país. O premiê ainda fez um apelo para que a comunidade internacional ajude os milhares de refugiados que deixaram a região de conflito no noroeste do país.

 

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Em discurso à nação retransmitido ao vivo pelos canais do país, Gillani acusou os fundamentalistas de não terem cumprido o acordo de paz que as autoridades assinaram com eles no final de fevereiro. O anúncio foi feito um dia após o encontro do presidente paquistanês, Asif Ali Zardari, com o americano Barack Obama, e coloca um ponto final na trégua com o Taleban, acertada em troca da instalação de tribunais islâmicos no Vale do Swat e em outros seis distritos para a aplicação da Sharia (lei islâmica).

 

"Com o fim de restaurar a honra e a dignidade do nosso país e para proteger o povo, pedimos para que as forças armadas eliminem os combatentes islâmicos e os terroristas", afirmou o premiê. Helicópteros e aviões militares paquistaneses estão bombardeando redutos de combatentes do movimento fundamentalista islâmico. Dezenas de milhares de civis já abandonaram suas casas para tentar escapar dos combates, que estão mais intensos nos arredores da cidade de Mingora. Dentro da cidade, forças do Taleban já está se preparando para um ataque do Exército, aguardado para qualquer momento.

 

Milhares de paquistaneses aterrorizados desviavam de bloqueios rodoviários em uma tentativa desesperada de escapar dos choques entre o Exército do país e rebeldes ligados ao Taleban no noroeste do Paquistão e chegar a campos de refugiados e a hospitais lotados com seus filhos cansados e famintos. De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), dezenas de milhares de pessoas já fugiram nos últimos dias de suas casas na região conhecida como Vale do Swat. O novo êxodo de civis soma-se a meio milhão de pessoas já deslocadas pelos choques na volátil região de fronteira entre o Paquistão e o Afeganistão.

 

O Comitê Internacional da Cruz Vermelha já alertou que uma crise humana está prestes a eclodir no noroeste do Paquistão. Segundo a BBC, em uma declaração, o comitê afirmou que não tem mais acesso às áreas mais afetadas pelo conflito. "O Comitê Internacional da Cruz Vermelha e o Crescente Vermelho no Paquistão estão atualmente juntando seus recursos para conseguir atender cerca de 120 mil pessoas que abandonaram suas casas, afetadas pelos combates, com alimentos e outros suprimentos essenciais." 

 

Nesta quinta-feira, vários milhares de homens, mulheres e crianças - a maioria em carros, ônibus e tratores, mas alguns a pé - aproveitaram o abrandamento do toque de recolher para se deslocarem para a principal cidade do Vale do Swat, Mingora, em busca de segurança. O comboio andava, horas mais tarde, por campos estabelecidos por autoridades paquistaneses e pela ONU na cidade de Mardan e cidades vizinhas. Hospitais de Mardan prestaram atendimento a dezenas de civis com sérios ferimentos a bala e de estilhaços, inclusive crianças. No Hospital de Tuberculose, em Mardan, centenas de pessoas se acotovelam perante o guichê de atendimento.

 

Segundo testemunhas, militantes do Taleban estavam novamente nas ruas de Mingora, a principal cidade do Vale do Swat, nesta quinta-feira. Tropas do Exército estavam lançando artilharia e ataques aéreos contra alvos militantes na região. O general Ashfaz Parvez Kayani, o chefe do Exército paquistanês, disse que vai empenhar recursos suficientes para "assegurar um controle decisivo sobre os militantes" no país. Kayani não disse se o Exército pretende enviar mais soldados para o vale, onde já se encontram 15 mil tropas, mas um militar dos Estados Unidos disse que os norte-americanos estão "observando o movimento. Há uma reorientação de algumas forças indo na direção do nordeste a partir do leste".

 

 

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