Paquistão põe líder da oposição em prisão domiciliar

A polícia paquistanesa colocou alíder oposicionista Benazir Bhutto sob prisão domiciliardurante uma semana a partir da madrugada de terça-feira (noitede segunda no Brasil), enquanto a Commonwealth (comunidadebritânica de nações) ameaçou suspender o país caso o presidentePervez Musharraf não revogue o estado de emergência. Bhutto, que já foi duas vezes primeira-ministra, pretendialiderar uma "longa marcha" motorizada de 270 quilômetros entreLahore e a capital, Islamabad, para exigir que o generalMusharraf deixe o comando do Exército, revogue o estado deemergência, acate a Constituição e liberte ativistas detidos--vários dos quais de seu partido. Na segunda-feira, ela pediu aos paquistaneses de todas astendências que se juntem à carreata a partir da manhã deterça-feira, e disse que o protesto deveria ser mantido mesmoque a polícia a impedisse de participar. Mas as autoridades anunciaram que a marcha estava proibida,e centenas de policiais montaram barricadas em torno da casa deum dirigente partidário onde ela está hospedada em Lahore. O chefe da polícia local, Aftab Cheema, disseposteriormente à Reuters em frente à casa que Bhutto querecebeu a notificação de que passará uma semana detida. Fazana Raja, porta-voz do partido de Bhutto, disse que amanifestação seria mantida. "Definitivamente ela vai tentarvir. Vamos começar nossa procissão daqui, e se tentarem nosimpedir toda (a província do) Punjab será um campo de batalha",afirmou. A polícia diz que Bhutto poderia ser alvo de um novoatentado suicida, como o que matou 139 pessoas no mês passado,quando ela era recebida de volta após oito anos de auto-exílio. Na semana passada, a polícia a impediu de sair de sua casa,em Islamabad, para participar de um comício na vizinhaRawalpindi. Musharraf está sob crescente pressão de seus aliadosocidentais para retomar o caminho da democracia. O estado deemergência decretado no dia 3 permitiu que o presidentesuspendesse os direitos políticos da população, demitissejuízes, calasse a imprensa e prendesse milhares deoposicionistas. A Commonwealth, que reúne 53 países (em geral ex-colôniasbritânicas), deu até o dia 22 para que Musharraf revogue oestado de emergência ou adote outras medidas para resolver osproblemas do país. Caso isso não ocorra, o Paquistão pode sersuspenso do grupo. Embora a decisão, tomada numa reunião em Londres, sejaeminentemente simbólica, ela pode ter implicações para a ajudaao desenvolvimento do país. O Paquistão já foi suspenso em 1999, depois do golpe quelevou Musharraf ao poder, mas foi readmitido em 2004 depois dereformas democráticas limitadas. (Reportagem adicional de Simon Garnder em Lahore)

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