Paquistão precisa de US$ 7 bi 'para não entrar em colapso'

Assessor do premiê diz que reservas do país se esgotarão até final do ano; país pede ajuda financeira urgente

BBC Brasil, BBC

29 de setembro de 2008 | 07h36

O Paquistão pode ver suas reservas de moeda estrangeira esgotadas antes do final do ano a menos que o país receba uma injeção financeira urgente, afirmou um assessor econômico do primeiro-ministro do país, Yusuf Raza Gilani. Saquib Sherani disse que o Paquistão necessita de US$ 7 bilhões para evitar que sua economia entre em colapso e o país deixe de cumprir seus compromissos. "(A soma) é grande e precisamos dela rápido. As reservas cobrem um mês de importações".   Calcula-se que as reservas paquistanesas sejam de apenas US$ 3 bilhões no momento e que elas diminuem em cerca de US$ 1 bilhão por mês. Na sexta-feira, foi lançado em Nova York o grupo "Amigos do Paquistão", organização que reúne Estados Unidos, Reino Unido, França, Alemanha, Itália, União Européia, China, Canadá, Austrália, Turquia, Emirados Árabes Unidos e ONU (Organização das Nações Unidas), e que tem o objetivo de tentar ajudar o país nas áreas de segurança, política e economia. Em comunicado oficial, o grupo afirmou "ter concordado em estudar maneiras de ajudar o Paquistão a ter um melhor acesso aos seus mercados", mas não mencionou ajuda financeira.   O próximo encontro do grupo deve acontecer na capital dos Emirados Árabes Unidos, Abu Dhabi, em outubro. "Começamos a negociar em junho com nossos parceiros, mas o atraso custou caro ao Paquistão", disse Sherani, afirmando que as negociações deveriam ter sido iniciadas antes para evitar uma crise maior. O economista afirmou que é do interesse de várias nações evitar que o Paquistão se torne um "Estado fracassado", e fique à mercê de extremistas. "O Paquistão está na linha de frente da Guerra contra o Terror internacional e você não pode deixar que um país tão vital afunde", disse ele.   A crise financeira está se agravando ao mesmo tempo em que aumentam os problemas de segurança no país. No dia 20 de setembro, um ataque suicida ao hotel Marriot na capital Islamabad, considerado um local seguro para estrangeiros, matou mais de 50 pessoas. Analistas temem que, entre outras conseqüências, o ataque contribua para afugentar investidores internacionais. Acredita-se que o ataque tenha sido realizado por extremistas que atuam na fronteira com o Afeganistão.   Na semana passada, os militares paquistaneses disseram que operações de combate aos militantes nas zonas fronteiriças mataram mais de mil extremistas apenas em agosto. Mas correspondentes questionam a eficiência das táticas militares, que acabam matando um grande número de civis e já obrigaram centenas de milhares de pessoas a deixar suas casas.   Muitos no Paquistão enxergam as operações na fronteira como um ato de submissão do país aos Estados Unidos. Desde o início de setembro, vem aumentando ainda as tensões entre militares americanos e paquistaneses, desde que soldados dos Estados Unidos realizaram incursões em território do Paquistão. Na semana passada, soldados dos dois países chegaram a trocar tiros na fronteira, mas ninguém ficou ferido. O Paquistão proíbe que os Estados Unidos entrem em seu território para combater militantes do Taleban.

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