REUTERS|HO|Steve McCurry|National Geographic Society
REUTERS|HO|Steve McCurry|National Geographic Society

Paquistão prende afegã imortalizada em capa da 'National Geographic' 

Ela foi acusada de portar documentos falsos; a impressionante imagem de Sharbat, com seus grandes olhos verdes ressaltados pelo lenço roxo que usava, foi tirada em um acampamento de refugiados no Paquistão pelo fotógrafo americano Steve McCurry

O Estado de S. Paulo

26 Outubro 2016 | 15h51

PESHAWAR, PAQUISTÃO - A afegã Sharbat Gula, que se tornou mundialmente conhecida depois que uma fotografia sua estampou a capa da revista National Geographic em 1985, foi detida no Paquistão por posse de documentos paquistaneses falsos. 

A impressionante imagem de Sharbat, com seus grandes olhos verdes ressaltados pelo lenço roxo que usava, foi tirada em um acampamento de refugiados afegãos no Paquistão pelo fotógrafo americano Steve McCurry. 

É uma das capas mais conhecidas da história da revista americana e transformou a então adolescente em um ícone do povo afegão quando o país estava sob a ocupação soviética. 

Em 2002, o fotógrafo e a revista procuraram Sharbat para uma reportagem sobre como ela estava tantos anos depois da foto famosa. A incursão a encontrou novamente no Afeganistão e rendeu uma nova reportagem e um documentário sobre ela: Search for the Afghan Girl. 

Mais de três décadas depois, Sharbat foi presa pelas autoridades paquistaneses "por obtenção de falsos documentos de identidade", declarou à agência France-Presse Shahid Ilyas, um responsável da Nadra (Autoridade de Registro Nacional de Informações). 

Segundo Ilyas, as autoridades paquistaneses também estão procurando três funcionários da Nadra acusados de ter fornecido um documento de identidade nacional a Sharbat, e desapareceram depois que a fraude foi revelada. 

A afegã pode ser sentenciada a uma pena de 7 a 14 anos de prisão e a uma multa de entre US$ 3 mil e US$ 5 mil dólares. 

Milhares de afegãos refugiados já conseguiram obter um documento de identidade paquistanês apesar de o sistema ser informatizado. 

O Paquistão tem levado a cabo, nos últimos meses, um grande campanha de verificação para descobir pessoas que tenham obtido documentos de identidade do país de forma fraudulenta. 

O país tem cerca de 1,4 milhão de afegãos registrados como refugiados segundo as Nações Unidas, o que o coloca em terceiro lugar entre os países com maior número de pessoas asiladas no mundo. /AFP 

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