Paquistão prende centenas antes de volta de ex-premiê

Sharif, que deve chegar neste domingo ao país, quer tentar acabar com o regime de Musharraf

KAMRAN HAIDER, REUTERS

09 de setembro de 2007 | 11h34

Autoridades paquistanesas reforçaram a segurança no aeroporto de Islamabad e detiveram mais de 2 mil simpatizantes do ex-primeiro ministro exilado Nawaz Sharif, disse seu partido neste domingo, véspera de sua volta ao país.Sharif, afastado pelo general Pervez Musharraf em 1999, disse que está determinado a voltar de Londres nesta segunda-feira para tentar acabar com o regime de Musharraf, apesar do apelo feito por uma autoridade saudita para que fique longe, em nome da estabilidade."Eu vou, se Deus quiser, no dia 10 de setembro e por favor não tentem impedir-me", disse ele a repórteres em Londres no fim de semana. Ele afirmou que Musharraf pensou que tinha razão e acreditava "na lei da selva.""É possível esperar qualquer coisa dele. Então não tenho medo."A volta de Sharif é um sério desafio para Musharraf, que perdeu muito apoio desde que demitiu o principal juiz do país, no mês de março.Musharraf está preparando-se para tentar outro mandato na eleição presidencial nas votações em assembléias nacionais e das províncias, programadas para o período entre 15 de setembro e 15 de outubro. A eleição geral está programada para o final deste ano.Ahsan Iqbal, porta-voz de Sharif, disse que autoridades locais prenderam mais de 2 mil ativistas do partido de Sharif na província de Punjab, base política do ex-premiê. "A maneira como o governo atuou provou nossa afirmação de que não há democracia com Musharraf, que há ditadura no país", disse Iqbal.Uma autoridade da polícia da província disse que foram detidas 250 pessoas. Grande parte do aeroporto de Islamabad ficará fechada, disse uma autoridade do setor de segurança.Musharraf mandou Sharif para a Arábia Saudita no ano 2000 como parte de um acordo que o forçaria a ficar 10 anos no exílio. Em troca, evitaria uma pena de prisão perpétua por sequestro e corrupção.O Paquistão afirma que a família real saudita e o líder libanês Rafik al-Hariri, assassinado em Beirute, garantiriam o acordo. Sharif disse no sábado que entendeu que o acordo era de cinco anos no exílio.A Suprema Corte disse no último mês que Sharif tinha o direito de voltar e que o governo não deveria tentar impedi-lo. O chefe da inteligência saudita, Muqrin bin Abdul Aziz e o filho de Hariri, Saad, encontraram-se com Musharraf em Islamabad no sábado."Esperamos com sinceridade que sua excelência Nawaz Sharif honre este acordo", disse Muqrin a repórteres. Ele citou preocupações com a estabilidade paquistanesa. O governo não disse o que acontecerá quando Sharif e seu irmão, Shahbaz, chegarem ao país.

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