Paquistão prende fundador de grupo acusado de atacar Mumbai

Hafiz Saeed, militante do Lashkar-e-Taiba, é posto em prisão domiciliar após ser considerado terrorista pela ONU

Agências internacionais,

11 de dezembro de 2008 | 19h30

O Paquistão colocou o fundador de um grupo militante ao qual se atribui os ataques de Mumbai em prisão domiciliar nesta quinta-feira, 11, numa resposta à intensa pressão para eliminar o que a Índia chama de "epicentro do terrorismo". A detenção de Hafiz Saeed, fundador do grupo ilegal Lashkar-e-Taiba (LeT), que agora dirige a entidade de caridade Jamaat-ud-Dawa, considerada fachada do LeT, aconteceu depois que a Organização das Nações Unidas (ONU) o colocou na lista de sanções ao terrorismo. Veja também: Índia quer que Paquistão extradite 40 suspeitos Nova Délhi reformula setor de segurança após ataques em Mumbai Zardari no NYT: O Paquistão também é alvo de radicais Gilles Lapouge: Taleban ganha força nas aldeias    "A polícia cercou a casa de Hafiz Saeed em Lahore e afirmou que ele não pode sair. Eles lhe disseram que a ordem de prisão formal será feita em breve", disse Abdullah Montazir, porta-voz de Saeed. A Índia acusa o LeT pelos ataques de Mumbai que mataram 179 pessoas no mês passado e por outros acontecidos antes desse, incluindo um ataque em 2001 ao parlamento que quase provocou um novo confronto entre os dois rivais nucleares, que já travaram três guerras desde a independência da Grã-Bretanha em 1947. Um porta-voz do Banco Central paquistanês informou que os bancos receberam diretrizes para congelar as contas da Jamaat-ud-Dawa, de Saeed e três associados incluídos nas sanções da ONU, que também proíbe os indivíduos da lista de viajar. A polícia em Karachi e em Hyderabad lacrou os escritórios da Jamaat-ud-Dawa. Segundo redes de tevê, a instituição de caridade seria banida, embora nenhum anúncio oficial tenha sido feito ainda. O primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh, disse, no entanto que as ações não têm sido suficientes. "Temos de galvanizar a comunidade internacional para lidar com firmeza e efetivamente com o epicentro do terrorismo, que está localizado no Paquistão. A infra-estrutura do terrorismo tem de ser destruída de forma permanente", declarou, antes da prisão domiciliar de Saeed.   O grupo   Os militantes paquistaneses do grupo Lashkar-e-Taiba ("Exército dos Misericordiosos") lutam contra a Índia na região da Caxemira. Eles ficaram conhecidos depois do ataque ao Parlamento indiano, em 2001, que matou dez pessoas e quase levou os dois países a uma guerra. Apesar de estar proibido no Paquistão desde 2002, o Lashkar nunca se desfez e suspeita-se que o grupo tenha se ligado a radicais paquistaneses do Taleban e da Al-Qaeda. O grupo, porém, nega ter relação com os atentados de Mumbai.   O Lashkar foi criado em nos anos 90 pelo combatente Hafiz Mohammad Saeed, especificamente para lutar contra o que chamam de "ocupação indiana" de parte da Caxemira, de maioria muçulmana. Por muito tempo, o Lashkar foi apoiado pelo serviço de inteligência paquistanês, que também se opõe à presença indiana na região.   Apesar de o Paquistão já ter se posicionado oficialmente contra a atuação do Lashkar, a Índia acusa o vizinho de não combater o grupo de fato. Oficialmente, a organização islâmica foi banida do Paquistão. Pressionado pelo governo indiano, Islamabad lançou nesta semana, em sua parte da Caxemira, uma operação policial contra o grupo, embora fontes ocidentais duvidem de seu verdadeiro alcance.   Atualmente, o Lashkar opera abertamente em Lahore. O grupo, antes concentrado na Caxemira, já expandiu sua área de atuação para regiões tribais do Paquistão e está determinado a participar de uma jihad global, segundo a fontes de inteligência ocidental.  

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