Paquistão prende informantes da CIA no caso Bin Laden, diz NYT

A principal agência de espionagem do Paquistão prendeu cinco colaboradores da CIA que deram informações aos Estados Unidos antes da operação do mês passado que resultou na morte do líder da Al Qaeda, Osama bin Laden, informou nesta quarta-feira o jornal The New York Times.

REUTERS

15 de junho de 2011 | 11h39

Um dos detidos seria um major do Exército paquistanês que, segundo autoridades, copiou placas de carros que visitavam o líder da Al Qaeda na residência em que ele estava escondido, 50 quilômetros a noroeste de Islamabad.

Não está claro o que aconteceu com os informantes detidos, segundo o jornal, que citou como fontes funcionários norte-americanos.

O diretor da CIA, Leon Panetta, que está para deixar o cargo, levantou a questão sobre a prisão dos informantes durante uma viagem ao Paquistão na semana passada, quando se reuniu com autoridades militares e da inteligência paquistanesa, afirmou o jornal.

A direção da principal agência militar de inteligência do Paquistão não quis comentar o assunto, mas o Exército negou que qualquer major estivesse entre os detidos em relação ao caso da incursão das forças especiais dos EUA no começo de maio na cidade de Abbottabad, que é sede de um quartel militar.

"Não há nenhuma verdade no artigo do NYT sobre o envolvimento e prisão de um major do Exército por causa do incidente com OBL (Osama bin Laden)", disse o porta-voz militar Athar Abbas, em comunicado.

Um alto funcionário da segurança paquistanesa disse que algumas pessoas foram presas em relação ao ocorrido em Abbottabad e elas estão sendo investigadas.

Ao ser indagado se tais pessoas eram informantes da CIA, ele disse que somente depois das investigações poderiam dizer a que categoria pertenciam as pessoas detidas.

Em Washington, algumas pessoas vêm as prisões como outro indício da profunda desconexão entre as prioridades dos EUA e do Paquistão na luta contra extremistas, disse o NYT.

Os EUA não informaram o governo do Paquistão sobre a operação contra Bin Laden, o que enfureceu as Forças Armadas do país e deixou em situação difícil as relações militares e de inteligência entre os dois países.

Na semana passada, em uma reunião a portas fechadas, o vice-diretor da CIA, Michael Morell, deu nota 3, numa escala de 1 a 10, para a cooperação do Paquistão com os EUA nas ações contra o terrorismo, segundo o NYT, que citou fontes no governo.

(Reportagem de JoAnne Allen; reportagem adicional de Zeeshan Haider em Islamabad)

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