Aqeel Ahmed/AP
Aqeel Ahmed/AP

Paquistão prende informantes da CIA que ajudaram na captura de Bin Laden

Destino dos cinco paquistaneses presos ainda é incerto; prisões fragilizam relação com EUA

Estadão.com.br

15 de junho de 2011 | 08h48

WASHINGTON - Autoridades dos Estados Unidos anunciaram nesta quarta-feira, 15, que a agência de espionagem militar do Paquistão prendeu alguns dos informantes paquistaneses que mantiveram contato com a CIA (Agência Central de Inteligência americana) nos meses anteriores à morte de Osama bin Laden. A informação foi divulgada pelo jornal americano New York Times.

 

A detenção dos cinco informantes da CIA pelo Paquistão é a última evidência do desgaste da relação entre Washington e Islamabad. O fato ocorre em um momento em que Obama busca o apoio do Paquistão em uma intermediação final na guerra do Afeganistão.

 

Major

 

Entre os presos estaria supostamente um major do Exército paquistanês que teria anotado a numeração das placas dos carros que visitaram o complexo de Bin Laden em Abbottabad semanas antes da operação dos EUA. No entanto, o Exército paquistanês negou a prisão. Segundo um porta-voz, o major-general Athar Abbas, a informação é "falsa e sem nenhuma base".

 

O proprietário de uma casa alugada pela CIA para observar a mansão de Bin Laden em Abbottabad também teria sido preso, disse ao New York Times uma autoridade dos EUA. O proprietário foi detido com outros paquistaneses, disse o funcionário. A identidade da fonte não foi revelada pelo jornal.

 

Embora o destino dos informantes presos seja incerto, autoridades americanas disseram que o diretor da CIA, Leon Panetta, teria levantado a questão quando esteve em Islamabad, na semana passada. Na ocasião, ele se reuniu com militares paquistaneses e oficiais de inteligência do país.

 

Descompasso

 

Analistas em Washington veem as prisões como demonstração do descompasso entre as prioridades do Paquistão e dos Estados Unidos. Os dois países, dizem, deveriam ser aliados na luta contra a Al-Qaeda.

 

Em vez disso, argumentam, estão ocupados em caçar integrantes da rede de apoio que permitiu que Bin Laden vivesse confortavelmente, e durante anos, na cidade paquistanesa.

 

As autoridades paquistanesas, dizem, estão prendendo pessoas que contribuíram para o ataque que matou o homem mais procurado do mundo.

 

Texto corrigido às 18h56

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