Mohsin Raza/Reuters
Mohsin Raza/Reuters

Paquistão prende policiais por morte de ex-premiê Benazir Bhutto

Oficiais são acusados de 'fracassar' ao proteger política; autoridades dificultavam investigações

Agência Estado

22 de dezembro de 2010 | 15h02

ISLAMABAD - Autoridades do Paquistão prenderam hoje dois graduados policiais por suposta negligência de seus deveres quando houve o homicídio da ex-primeira-ministra Benazir Bhutto, em 2007. A informação foi divulgada por um promotor do país.

 

Benazir foi morta em 27 de dezembro daquele ano, em um ataque suicida durante um comício eleitoral na cidade de Rawalpindi, perto da capital Islamabad.

 

Um tribunal em Rawalpindi emitiu neste mês mandados de prisão contra Saud Aziz, que era o chefe de polícia da cidade quando houve o homicídio, e o graduado policial Khurram Shahzad. O motivo é o "fracasso" deles em proteger a política.

 

Em abril, um painel das Nações Unidas acusou o governo de não conseguir proteger Benazir adequadamente. Segundo esse comitê, as agências de inteligência e outros funcionários dificultavam uma apuração adequada do caso.

 

"Os dois oficiais da polícia foram presos", disse o promotor especial Chaudhry Zulfiqar Ali. Segundo ele, o magistrado rejeitou o pedido deles de fiança e ordenou a prisão, pois era obrigação das autoridades realizarem uma autópsia no corpo.

 

Anteriormente, Ali havia acusado os policiais por serem responsáveis pela controversa decisão de alterar a cena do crime, destruindo provas fundamentais, e por não garantir a segurança adequada a Benazir.

 

Segundo um promotor, o juiz rejeitou como prova um áudio do marido de Benazir, o agora presidente Asif Ali Zardari, aparentemente pedindo o cancelamento da autópsia. A próxima audiência no caso está marcada para 7 de janeiro.

 

Na época do crime, o governo liderado pelo então presidente Pervez Musharraf acusou o chefe do Taleban no Paquistão, Baitullah Mehsud, que negou envolvimento. Mehsud foi morto por um ataque de um avião não tripulado dos EUA em agosto de 2009, perto da fronteira afegã.

 

Benazir foi premiê por duas ocasiões. Ela voltou do exílio dois meses antes de ser assassinada. Em fevereiro de 2008, Zardari levou o Partido do Povo do Paquistão, o mesmo de Benazir, à vitória e agora é presidente. Apesar disso, Zardari tem índices ruins de popularidade. Após a publicação do relatório da ONU, o Paquistão retirou de seus cargos graduados funcionários da polícia e do setor de inteligência. As informações são da Dow Jones.

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