Paquistão prende suspeito de ordenar ataques em Mumbai

Pressionado, governo paquistanês lança operação contra grupo acusado de promover atentados

Agências internacionais,

08 de dezembro de 2008 | 07h33

Pressionado pela Índia, o Paquistão lançou na Caxemira uma operação das forças de segurança contra membros do grupo terrorista Lashkar-e-Taiba (LeT), acusado pelo governo indiano de estar por trás dos recentes atentados de Mumbai. Um dos supostos mentores do ataque foi preso na operação em um campo de militantes, disseram várias fontes em Muzaffarabad, capital da Caxemira paquistanesa, na segunda-feira, 8. Segundo a agência de notícias AFP, 15 pessoas foram detidas na ação.   Veja também: Paquistão nega aceitar prazo para entregar suspeitos à Índia Índia admite falhas de segurança em ataques a Mumbai Índia jamais cauterizou as feridas de 1947 Entenda a histórica tensão entre Índia e Paquistão Assista ao vídeo com cenas dos ataques  Imagens de Mumbai     O dirigente da organização Jamaat-ud-Dawa, acusada de ser o braço político do Lashkar, afirmou sob anonimato que Zaki-ur-Rehman Lakhvi estava entre os presos na invasão no campo utilizado para treinamento dos combatentes do grupo nos arredores de Muzaffarabad, capital da Caxemira paquistanesa. Segundo autoridades indianas, Lakhvi - um dos chefes de operação do Lashkar - foi apontado como um dos líderes dos ataques em Mumbai pelo único sobrevivente entre os homens armados que promoveram os atentados coordenados que mataram mais de 170 pessoas.   De acordo com um jornal paquistanês, as forças de segurança paquistanesas inspecionaram também um edifício que estava sendo utilizado pela organização Jamaat-ud-Dawa, o grupo sob o qual se esconde o Lashkar, segundo as autoridades indianas. No entanto, esta organização negou através de seus porta-vozes a ação.   Os EUA e a Índia suspeitam que militantes baseados no Paquistão planejaram e promoveram os ataques que elevaram a tensão entre os dois países considerados inimigos históricos e que possuem armas nucleares. O novo governo civil paquistanês, eleito neste ano, está sob intensa pressão internacional para combater os extremistas e mostrar que suas agências de inteligência não possuem ligação com os ataques.   Segundo analistas, o Lashkar foi criado na década de 1980 com a ajuda do serviço secreto paquistanês e outras agências de inteligência do governo para apoiar o movimento separatista no lado indiano da Caxemira, província disputada pelas potências nucleares desde a independência dos dois países, em 1947. A secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, afirmou no domingo em uma entrevista que "existem provas" de que os autores dos ataques contra a capital financeira da Índia "utilizaram de alguma maneira o território paquistanês". Rice visitou os dois países na semana passada, em uma tentativa de diminuir a tensão entre Índia e Paquistão, e pediu para que Islamabad elimine todas as suas bases terroristas e coopere com a investigação.   Ainda que o governo paquistanês tenha oferecido no início sua ajuda aos indianos, até agora se mostrou reticente em atuar, alegando que não dispõe de provas suficientes. Islamabad ainda deixou claro que não entregará ao governo indiano os suspeitos exigidos por Nova Délhi e que eles serão julgados no Paquistão. A Índia afirma que os autores dos ataques são "elementos paquistaneses" e pediu a extradição de 20 supostos terroristas, entre eles o líder do Lashkar.

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