Paquistão: presidente deposto do Supremo se nega a deixar residência oficial

Segundo o requerimento legal, Chaudhry deve deixar em uma semana a residência em que vive

EFE,

13 de janeiro de 2008 | 04h07

O deposto presidente do Tribunal Supremo do Paquistão, Iftikhar Chaudhry, se negou a deixar sua residência oficial em Islamabad após receber um requerimento para que desocupe este imóvel em uma semana, informa neste domingo, 13, a imprensa local. Chaudhry respondeu com outra nota por escrito na qual denuncia que está sob prisão domiciliar ilegal e que, na qualidade de chefe do Supremo, tem o direito de seguir vivendo na residência oficial até sua aposentadoria em dezembro de 2013, segundo o jornal "Dawn". O magistrado está sob detenção desde 3 de novembro de 2007, quando o presidente, Pervez Musharraf, impôs o estado de exceção no país e derrubou a cúpula do Supremo, onde se questionava a legalidade de sua reeleição como chefe do Estado. Chaudhry foi substituído pelo juiz Abdul Hameed Dogar, que, junto a outros magistrados do país, prestou juramento a seu cargo perante Musharraf, o que o deposto presidente se negou a fazer. Desde então, o magistrado, que no ano passado travou uma dura queda-de-braço legal com Musharraf, teve todas as vias de comunicação e de contato fechadas, inclusive com diplomatas que tentaram visitá-lo. O estado de exceção foi suspenso em meados de dezembro. Segundo o requerimento legal, Chaudhry deve deixar em uma semana a residência em que vive no luxuoso Enclave Judicial de Islamabad para que Dogar possa ocupá-la. Em sua resposta, o magistrado reitera que continua sendo o presidente do Supremo de acordo com a Constituição, por isso tem direito a essa residência até o fim de 2013. "Nestas circunstâncias, não posso ser pressionado a deixar esta casa no prazo de uma semana", concluiu o juiz em sua resposta, escrita à mão. O requerimento, destaca o "Dawn", não foi emitido pelo Ministério da Justiça, mas pelo Departamento de Obras Públicas, e foi assinado por um engenheiro.

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