Paquistão prevê êxodo de 500 mil durante conflito no NE

Militantes tomaram hoje prédios do Vale do Swat, no nordeste do Paquistão, enquanto milhares de pessoas fugiam dos confrontos na região. O porta-voz do Taleban, Muslim Khan, disse que os militantes estavam no controle de 90% do vale, afirmando que respondem à violação do acordo de paz firmado com o governo do país, citando ataques a insurgentes e o aumento do número de tropas no vale. Ele acusou o governo de ceder à pressão dos Estados Unidos. Segundo o governo do Paquistão, o conflito pode levar a um êxodo de meio milhão de pessoas. O Taleban declarou o fim de seu acordo de paz.

AE-AP, Agencia Estado

05 de maio de 2009 | 15h12

Ônibus carregando residentes de Mingora, a principal cidade da região, saem lotados também do lado de fora - refugiados ocupavam os tetos dos veículos depois que o interior tinha sido todo tomado. Crianças e adultos carregavam seus pertences na cabeça ou nas costas, fugindo dos confrontos que, acreditam, está para consumir a região. Uma testemunha em Mingora contou que militantes ocupam a maioria das ruas e dos prédios altos e que as forças de segurança estão em suas bases. Outro relato informa que houve forte de troca de tiros na maior parte do dia.

O presidente paquistanês, Asif Ali Zardari, se prepara para conversas em Washington com o presidente norte-americano, Barack Obama, sobre como melhorar a luta conta a Al-Qaeda e o Taleban, grupos acusados por ataques tanto no Paquistão quanto no Afeganistão. A trégua com o Taleban no Vale do Swat, à qual funcionários dos EUA se opuseram desde o início, deve ter um papel importante nas discussões.

O Paquistão concordou com uma trégua no Vale do Swat e em áreas adjacentes em fevereiro, após dois anos de combates com militantes. O governo introduziu formalmente a lei islâmica no local no mês passado na expectativa de que os insurgentes baixariam suas armas, o que não aconteceu. Na semana passada, os insurgentes se transferiram do vale para Buner, um distrito a cem quilômetros da capital paquistanesa, Islamabad.

Arábia Saudita

O secretário de Defesa dos EUA, Robert Gates, afirmou hoje que seu país quer envolver a Arábia Saudita na ajuda ao Paquistão para afastar as ameaças extremistas de militantes que avançam na direção de Islamabad. "A Arábia Saudita claramente tem muita influência em toda a região e um longo relacionamento com o Paquistão", disse. Gates chegou hoje a Riad após ter se reunido, pela manhã, no Cairo, com o presidente egípcio, Hosni Mubarak, e o ministro da Defesa, Hussein Tantawi.

Gates estava no Oriente Médio enquanto os presidentes Asif Ali Zardari e do Afeganistão, Hamid Karzai, chegaram a Washington para se reunirem com Barack Obama. "Minha expectativa, durante as conversas em Washington nos próximos dias é que haja um acordo comum sobre a natureza da ameaça e sobre a importância de o Afeganistão e o Paquistão trabalharem juntos com os Estados Unidos."

Atentado

Um ataque suicida com carro-bomba matou cinco pessoas nas proximidades de Peshawar, a principal cidade do nordeste do Paquistão. Segundo a polícia, o carro bateu contra um veículo que levava tropas nas proximidades da capital da província onde, na semana passada, militares lançaram uma operação para reverter o avanço do Taleban na direção de Islamabad. A explosão matou um soldado paramilitar e quatro civis, disse o policial Ghafoor Khan Afridi. Outras 21 pessoas, dentre elas dez soldados e policiais e duas crianças, ficaram feridas.

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