Reuters
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Paquistão proíbe protestos na capital e prende dezenas

Governo tenta vetar distúrbios, mas advogados e grupos de oposição enfrentam polícia nas principais cidades

Agências internacionais,

13 de março de 2009 | 07h33

As autoridades do Paquistão ampliaram nesta sexta-feira, 13, a proibição de manifestações em várias zonas do país, incluindo a capital Islamabad, e fizeram dezenas de novas detenções, dentro de seus esforços para frear a marcha convocada por advogados e ativistas contra o governo. Os protestos foram proibidos em Islamabad depois de divulgadas informações sobre possíveis atividades terroristas perante a chegada, prevista para a próxima segunda-feira, da passeata opositora à capital paquistanesa, explicou o superintendente de polícia Tahir Alam Khan, à agência de notícias estatal APP.

 

Os manifestantes exigem que o presidente Asif Ali Zardari restitua os juízes exonerados pelo ditador Pervez Musharraf, que deixou o poder em 2007, e garanta um Judiciário independente no país. Já conhecida como "a longa marcha", a onda de protestos iniciada em Karachi no mês passado chegou na segunda-feira à capital, Islamabad. A demonstração pode abalar ainda mais o frágil governo de Zardari, que tenta - sem sucesso - conter o aumento da militância islâmica no Paquistão com forte auxílio de Washington. O plano dos organizadores do protesto, que foi proibido pelas autoridades, é atravessar a província do Punjab e chegar a Islamabad para uma grande manifestação na próxima segunda-feira.

 

Segundo o superintendente, cerca de 12 mil membros das forças de segurança farão a segurança dos cidadãos e da propriedade privada. As autoridades paquistanesas fecharam também a passagem entre as províncias de Sindh e Punjab e destacaram grande contingente de forças de segurança para tentar frear a marcha.

 

O estopim dos recentes distúrbios foi a decisão da Suprema Corte, no mês passado, de proibir o líder do partido oposicionista Liga Islâmica, o ex-premiê Nawaz Sharif, e seu irmão de concorrerem a cargos eletivos. Seu partido também foi retirado do governo de Punjab, província mais populosa do país, por decisão do presidente. Aliados, os advogados, Sharif e outros grupos de oposição convocaram, então, uma onda nacional de protestos. Eleito democraticamente, o governo desautorizou a maior parte das manifestações e até agora já prendeu mais de 360 pessoas.

 

O ex-primeiro-ministro Nawaz Sharif, cujo partido Liga Muçulmana do Paquistão-Nawaz (PML-N), lidera as manifestantes que saíram na quinta de Karachi, capital de Sindh, disse nesta sexta ao canal privado Dawn, que não pretende derrubar o governo, mas fortalecer a democracia. O outro grupo, que partiu de Quetta, capital do Baluchistão, pretende buscar uma rota alternativa para chegar a Islamabad. "Após ver a forma como nossos advogados foram agredidos e detidos, decidimos que precisamos intensificar nossa luta", disse o presidente da Associação de Advogados do Tribunal Supremo, Ali Ahmed Kurd, que lidera essa marcha.

 

As forças de segurança continuam lançando batidas em diferentes pontos do país. Desde o início das movimentações para a marcha, mais de mil advogados e ativistas políticos foram detidos, 400 só no Punjab, reduto eleitoral de Sharif. Preocupado com a desestabilização do aliado-chave na luta contra a Al-Qaeda e o Taleban, Washington tenta mediar a crise entre Zardari e a oposição. Na quinta, o enviado para a região da Casa Branca, Richard Holbrooke, telefonou ao presidente e a Sharif.

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