Paquistão promete "mão de ferro" contra terroristas

Com o assassinato do jornalista norte-americano Daniel Pearl, correspondente no Sul da Ásia do The Wall Street Journal, o presidente do Paquistão, Pervez Musharraf, prometeu nesta sexta-feira tratar o terrorismo com "mão de ferro".Condolências e expressão de repúdio surgiram da presidência paquistanesa, gabinete de ministro, jornalistas e até mesmo de alguns grupos militantes islâmicos. Todos demonstraram-se chocados com um videoteipe que mostrou o brutal assassinato de Pearl nas mãos de extremistas."Este incidente reforçou nossa determinação e nos próximos dias agirei com todos os tipos de terrorismo com mão de ferro", prometeu Musharraf.Quatro pessoas foram detidas e acusadas até agora no caso de seqüestro de Pearl, incluindo um militante islâmico nascido na Grã-Bretanha, Ahmed Omar Saeed, conhecido como xeque Omar, que admitiu a participação diante de uma corte.Segundo o ministro do Interior paquistanês, Moinuddin Haider, a polícia atualmente procura por quatro outros suspeitos. "Quando eles forem detidos, toda a rede do seqüestro será quebrada", afirmou.Muitos paquistaneses acreditam que o crime ocorrera devido à decisão de Musharraf de apoiar os Estados Unidos na guerra contra o vizinho Afeganistão, revertendo a posição prévia afegã de apoiar o regime Taleban.Hoje, o porta-voz da principal organização extremista do Paquistão se adiantou em negar envolvimento no seqüestro. "Não fazemos idéias de quem esteja por trás do seqüestro e do assassinato de Pearl", afirmou Munir Ahmad, porta-voz do Jaish-e-Mohammed.O vídeo que levou as autoridades norte-americanas a confirmarem oficialmente o assassinato de Pearl mostra que o correspondente do jornal foi degolado por seus seqüestradores no Paquistão.A informação foi divulgada hoje por um alto funcionário do governo paquistanês. Segundo a fonte, a fita de vídeo retratando o momento em que os seqüestradores cortaram a garganta de Pearl foi enviada a um repórter paquistanês da cidade de Karachi, que trabalharia para um jornal de Nova York, na quarta ou quinta-feira.Um investigador paquistanês disse à Associated Press que os seqüestradores assassinaram Pearl primeiro com um corte em seu pescoço, para posteriormente decapitá-lo.Hoje, um dos suspeitos detidos, Fahad Naseen, disse diante de um juiz em Karachi que o xeque Omar havia lhe dito dois dias antes do seqüestro que ele capturaria alguém que era "anti-islâmico e judeu".Com a morte de Pearl, as autoridades deverão se sentir livres paras sair à caça dos seqüestradores, afirmou Jamil Yosuf, um comerciante de Karachi que liderada um comitê civil envolvido nas investigações.Pearl, de 38 anos, foi seqüestrado em Karachi em 23 de janeiro enquanto investigava uma possível ligação entre extremistas paquistaneses e Richard C. Reid, que fora detido em dezembro do ano passado durante um vôo Paris-Miami com explosivos nos sapatos.Entre os suspeitos já detidos, além de Saeed, estão três acusados de enviar e-mails a organizações jornalísticas anunciando o seqüestro de Pearl.Durante um pronunciamento em rede nacional de televisão, Musharraf afirmou ter ficado "profundamente chocado" e triste com o assassinato. "Acho que todo o país divide comigo esse sentimento porque além de difamar o Paquistão, este ato difama também toda o islamismo".Musharraf telefonou ao presidente dos Estados Unidos, George W. Bush para expressar as "mais profundas condolências", afirmou hoje o ministro Haider, acrescentando que os dois líderes reiteraram a disposição de combater o terrorismo.Segundo Haider, o ministro da Justiça paquistanês, Shahida Jamil, visitou a viúva de Pearl em Karachi.

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