Paquistão promete reprimir incursões ilegais dos EUA no país

Porta-voz do Exército paquistanês diz que soldados têm permissão para abrir fogo contra militares americanos

Agências internacionais,

16 de setembro de 2008 | 08h52

Os soldados paquistaneses que atuam na fronteira com o Afeganistão receberam ordem de abrir fogo caso militares dos Estados Unidos voltem a entrar ilegalmente em seu território, informou nesta terça-feira, 16, um porta-voz do Exército do Paquistão. Autoridades paquistanesas protestaram formalmente depois de helicópteros americanos terem levado soldados à região de Waziristão do Sul em 3 de setembro para um ataque terrestre contra um suposto alvo rebelde. Depois desse incidente, a cúpula do Exército orientou os comandantes de campo a impedirem incursões similares, disse o general Athar Abbas, porta-voz das Forças Armadas paquistanesas. Abbas disse que se ficar claro que soldados americanos cruzaram a fronteira e ingressaram em solo paquistanês, seja por terra ou por ar, os militares do país "devem abrir fogo". "Nenhuma incursão será tolerada", assegurou ele. Os Exércitos dos EUA e do Paquistão negaram na segunda que soldados paquistaneses tivessem disparado contra dois helicópteros americanos para obrigá-los a voltar para o Afeganistão, após terem cruzado a fronteira e invadido a vila paquistanesa de Angor Adda, na região tribal do Waziristão do Sul. A informação sobre a invasão havia sido divulgada por moradores locais e por um funcionário de alto escalão do governo paquistanês que, anonimamente, afirmou que os helicópteros tentaram pousar na vila. "Apesar de os helicópteros americanos Chinook terem ultrapassado apenas entre 100 e 150 metros da fronteira, nossos soldados não os pouparam, abrindo fogo e fazendo-os recuar", disse. Um morador de Angor Adda confirmou a versão. "Vimos helicópteros voando por toda a região. Ficamos acordados a noite toda depois do incidente", afirmou. O Exército dos EUA, porém, negou a informação. O porta-voz do Comando Central americano, Gregory Smith, disse que nenhum helicóptero se envolveu em quaisquer ações. "Investiguei a informação e descobri que se trata de um relatório falso", declarou, por sua vez, o porta-voz do Pentágono, Bryan Whitman. O governo paquistanês também desmentiu os relatos. O porta-voz do Exército do Paquistão, Murad Khan, afirmou que "não houve nenhuma violação de nossa fronteira e não disparamos contra os americanos". Os rumores sobre o incidente ocorreram uma semana depois de o jornal The New York Times afirmar que o presidente dos EUA, George W. Bush, autorizou o Exército americano a lançar ofensivas no Paquistão mesmo sem autorização do governo de Islamabad. Além disso, os EUA intensificaram, nas últimas semanas, os ataques com aviões não-tripulados. As medidas parecem ter sido tomadas por causa da crescente impaciência de Washington com o que considera uma insuficiente resposta de Islamabad à ameaça dos taleban nas áreas tribais. Apesar de o governo do Paquistão ter intensificado suas ofensivas militares nas áreas tribais, os militantes continuam lançando ataques e até mesmo capturando soldados paquistaneses.  O ataque do dia 3 a Angor Adda foi a primeira incursão terrestre oficial de soldados americanos no Paquistão desde a invasão dos EUA ao Afeganistão, em 2001. O ataque, que teria deixado pelo menos 20 mortos, provocou indignação. O líder do Exército paquistanês, general Ashfaq Kayani, declarou que o Paquistão não permitirá a presença de soldados estrangeiros em seu território, afirmando que a soberania e a integridade territorial paquistanesas serão defendidas a qualquer custo.  (Com The New York Times)

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