Paquistão quer acordo nuclear após pacto entre EUA e Índia

Premiê paquistanês diz que país não pode ser discriminado e tem justificativa para exigir acerto semelhante

Reuters e Associated Press,

02 de outubro de 2008 | 11h51

O Paquistão exigiu nesta quinta-feira, 2, que os Estados Unidos alcancem um acordo similar com o governo paquistanês ao aprovado com a Índia para cooperação nuclear. Segundo o primeiro-ministro Yousaf Raza Gilani o fato do país já possuir armas atômicas não deve ser visto como motivo para preocupação. Veja também:   Atentado contra político mata quatro no PaquistãoOs senadores norte-americanos votaram na quarta-feira o fim da proibição do comércio no setor atômico entre Estados Unidos e Índia. Com isso os parlamentares deram a aprovação final para um acordo de cooperação nuclear entre os países. Críticos dizem que o acordo provoca prejuízos graves aos esforços para conter a proliferação de armas nucleares, já que a Índia poderá importar combustível e tecnologia nuclear mesmo tendo testado armas nucleares e não tendo assinado o Tratado de Não-Proliferação (TNP).   "Vocês não precisam se preocupar com isso", disse Gilani a repórteres em sua cidade-natal, Muiltan, quando questionado sobre o acordo. "O Paquistão agora terá uma justificativa para exigir um acordo similar, já que não queremos discriminação", disse Gilani. "O Paquistão também vai fazer novos esforços para um (acordo) nuclear civil e eles terão de nos acomodar".   O Paquistão teve três guerras contra a Índia desde a sua independência, em 1947, e quase entrou em guerra pela quarta vez em 2002. A relação entre os dois países melhorou desde que começaram uma negociação de paz, no começo de 2004. Islamabad testou armas nucleares em maio de 1998, em resposta aos testes feitos pela Índia. A Índia também possui uma bomba nuclear, que construiu ignorando o Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP), acordo que o país se recusa a firmar. A nação sofria uma proibição de itens no setor nuclear desde seu primeiro teste atômico, em 1974. O acordo com os americanos é apenas para a esfera civil.   O Paquistão é um dos países que mais recebem ajuda dos Estados Unidos, e é um grande aliado da campanha norte-americana contra militantes. Mas, para os olhos norte-americanos, o Paquistão não pode ser tratado como a Índia porque não tem um histórico de democracia e não-proliferação nuclear. Uma rede liderada por Abdul Qaader Khan, cientista considerado pai da bomba atômica paquistanesa, contrabandeou tecnologia nuclear que permite a produção de bombas para regiões instáveis, antes de ser desarticulada em 2004.

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