Paquistão quer mediar diálogo entre EUA e Taleban

Exército diz ter contato com líderes do grupo; oferta poderia ajudar Washington em ofensiva no Afeganistão

10 de julho de 2009 | 17h08

O Exército paquistanês se ofereceu nesta sexta-feira, 10, para mediar um diálogo entre os Estados Unidos e o grupo extremista Taleban. Em entrevista à rede CNN, o porta-voz das Forças Armadas de Islamabad, general Athar Abbas, afirmou que está em contato com o líder do grupo, mulá Mohammed Omar, e poderia trazer ele e outros comandantes à mesa de negociações com Washington.

 

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Em troca da mediação, Abbas disse que o Paquistão quer que Washington faça algumas concessões referentes às preocupações do país com a Índia, rival de longa data de Islamabad. "Isso mesmo, diálogo", destacou o general. "Acho que isso pode ter trabalhado, é possível", acrescentou.

 

Abbas revelou ainda que o Exército paquistanês, através do serviço de inteligência do país (ISI), desenvolveu uma "relação muito intensa" com os militantes do Taleban, após a aliança do grupo com os EUA durante a guerra soviética no Afeganistão. Desde então, Islamabad manteria contato com peças-chave do Taleban.

 

O general aposentado Hamid Gul, ex-chefe do ISI, equivalente paquistanês à CIA (central de inteligência americana), também afirmou que o governo Barack Obama pode ter acesso a mulá Omar, através de Islamabad. "Por que não?", indagou. "Ele é um terrorista por qualquer definição? Ele respondeu por qualquer ato de terrorismo?".

 

Com o aumento da violência no Afeganistão, a oferta pode ser a primeira chance para Washington começar a pensar no fim da guerra. Segundo a CNN, o consenso entre militares e diplomatas na região é que os EUA não podem vencer o conflito militarmente.

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