Paquistão reabrirá rota da Otan para Afeganistão, com pedágio

O Paquistão deve reabrir em breve as rotas usadas pela Otan para suprir suas forças no Afeganistão, mas cobrará um pedágio, disse uma autoridade à Reuters nesta quinta-feira.

MICHAEL GEORGY, REUTERS

19 de janeiro de 2012 | 10h26

O governo paquistanês havia proibido a movimentação da Otan no seu território depois de um bombardeio na região que matou 24 militares do país em novembro, em área da fronteira com o Afeganistão.

A liberação mostra uma redução no grau de tensão do Paquistão com os EUA e a Otan, mas a fonte que falou à Reuters sob anonimato disse que a cobrança do pedágio servirá para mostrar que a indignação paquistanesa com o incidente de novembro continua, e para angariar fundos a serem usados no combate a militantes locais do Taliban.

"As tarifas vão cobrir tudo, do porto à segurança e às estradas, que afinal de contas pertencem ao Paquistão", disse o funcionário, que não citou quando a rota será reaberta.

Segundo essa fonte, o ministério paquistanês do Comércio ainda está definindo as tarifas a serem cobradas.

O incidente de novembro foi a gota d'água em uma crise que se desenrolava havia meses, e se agravara em maio de 2011, quando os EUA realizaram uma operação militar secreta no território do Paquistão para matar o então líder da Al Qaeda, Osama bin Laden.

O funcionário que falou à Reuters disse que a reabertura da rota de suprimento militar mostra que a crise pode ser resolvida, mas que as relações bilaterais ainda estão longe da normalidade.

As duas rotas terrestres que ligam o Paquistão ao Afeganistão recebem quase um terço de todos os suprimentos enviados pela Otan a suas tropas em território afegão.

O Paquistão também tem tentado estabelecer um processo de paz com o Taliban local, mas até agora houve poucos avanços, já que o grupo islâmico rejeitou a proposta de trabalhar com anciões tribais na busca por um acordo pelo qual os combatentes entregariam suas armas às autoridades.

"Eles sentiram que seria humilhante. As negociações não estão obtendo progressos", disse a fonte. "Se eles quiserem ser incluídos no sistema político, é isso que terão de fazer."

O Taliban paquistanês, aliado do Taliban afegão, tem grande penetração no indomável território tribal do noroeste paquistanês, junto à porosa fronteira com o Afeganistão.

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