Paquistão reforça apoio aos EUA em visita de Powell

O presidente paquistanês, general Pervez Musharraf, disse hoje que seu país vai cooperar com os Estados Unidos em seu esforço militar no Afeganistão pelo tempo que for necessário para que a operação tenha sucesso. Musharraf recebeu hoje o secretário de Estado norte-americano, Colin Powell e disse que seu país continuará a honrar seu compromisso de colaborar com os EUA tanto em inteligência como dando suporte logístico e permitindo o uso de seu espaço aéreo nas operações. Musharraf também expressou sua esperança de que a ação militar no Afeganistão seja curta - ponto com o qual Powell concordou, embora tenha lembrado que o presidente George W. Bush já tenha prevenido que a campanha antiterrorismo vai durar até conseguir atingir seus objetivos. Powell disse que está satisfeito que a reunião tenha criado uma ?base sólida? para um relacionamento duradouro entre EUA e Paquistão. Ele disse que, ao voltar para Washington, fará um esforço especial para que a administração Bush dê prioridade à redução da dívida externa paquistanesa, de US$ 36 bilhões. Tanto Musharraf quanto Powell mencionaram a necessidade de que um governo de coalizão substitua o Taleban no Afeganistão. O presidente do Paquistão, Pervez Musharraf, sugeriu que o futuro governo do Afeganistão seja multiétnico e amplo, incluindo líderes "moderados" do Taleban e membros da oposição Aliança do Norte. "O ex-rei Zahir Shah, líderes políticos, líderes moderados do Taleban, membros da Aliança do Norte, líderes tribais e afegãos que vivem fora de seu país podem estabelecer um governo multiétnico e amplo para substituir o atual regime", disse Musharraf. Powell disse que o futuro governo no Afeganistão deve ser amplo e amigável a todos os países vizinhos. Ele acrescentou que os afegãos precisam de um governo que ?acolha os refugiados em vez de produzi-los? e expressou também o desejo de que Índia e Paquistão resolvam seu conflito em relação à Caxemira, dizendo que a solução deve respeitar os ?desejos do povo? da região. Powell não fez comentários sobre o ataque promovido por tropas indianas que atiraram bombas de canhão e mísseis contra tropas paquistanesas posicionadas na Caxemira na noite de ontem. O ataque teria acontecido como punição ao Paquistão por sua ajuda aos militantes islâmicos que disputam o controle da província. O Paquistão afirma que a Índia nega à população predominantemente muçulmana da Caxemira o direito à autodeterminação, pelo qual a população pode escolher se quer ou não ficar subordinada a um Estado. Powell deve sair do Paquistão rumo à Índia ainda hoje, onde tem um jantar com o chanceler indiano, Jaswant Singh, e um encontro com o primeiro-ministro Atal Bahiri Vajpayee amanhã. O incidente foi descrito como o pior deste ano envolvendo duas nações que dispõem de armas nucleares. Antes de aterrissar, Powell disse que é essencial que os dois países insistam no diálogo sobre a região e evitem provocações mútuas, mas não fez nenhum comentário sobre o ataque. Em Washington, o presidente George W. Bush, pediu que Índia e Paquistão tentem evitar um conflito militar na Caxemira porque qualquer luta na região ?pode trazer conseqüências? para a atual campanha antiterrorismo. A conselheira de Segurança Nacional, Condoleezza Rice, disse que antes dos inícios dos ataques dos EUA ao Afeganistão, em 7 de setembro, ela, Bush e Powell telefonaram para autoridades indianas e paquistanesas para enfatizar a importância de um cessar-fogo na Caxemira. Leia o especial

Agencia Estado,

16 Outubro 2001 | 08h30

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