Paquistão rejeita apelações contra reeleição de Musharraf

Justiça nega recursos para impedir novo mandato; presidente define data para eleições parlamentares

Efe e Reuters,

19 de novembro de 2007 | 08h06

A Suprema Corte do Paquistão rejeitou nesta segunda-feira, 19, cinco de seis apelações contra a vitória eleitoral do presidente Pervez Musharraf no dia 6 de outubro, informou o procurador-geral paquistanês.  Veja também:Cronologia do estado de emergência no Paquistão"Eleições sob estado de emergência são uma farsa" Musharraf retirou da corte juízes hostis a ele quando impôs um estado de emergência no país, no último dia 3 de novembro. O presidente proclamou o decreto alegando a ingerência dos juízes nos assuntos do governo e o aumento da violência extremista, mas os analistas indicam que ele pretendia evitar um veredicto desfavorável do Supremo sobre sua reeleição. "Cinco apelações foram rejeitadas. Uma está pendente e será ouvida na quinta-feira", disse à Reuters Malik Qayyum. A oposição tinha afirmado que o general não poderia tentar a reeleição presidencial se não renunciasse antes ao cargo de chefe do Exército, argumento utilizado para denunciar que a candidatura de Musharraf havia sido ilegal.  O presidente afirmou nesta segunda que quer realizar eleições geral no país em 8 de janeiro, mas não especificou quando o estado de emergência será suspenso. Em artigo, a ex-primeira-ministra do país e líder da oposição, Benazir Bhutto, afirmou que a realização do pleito sob o estado de emergência é uma farsa.  "A Comissão Eleitoral divulgou listas eleitorais consideradas ilegítimas pela Suprema Corte do Paquistão e pelo Instituto Democrático Nacional para Assuntos Internacionais. Algumas seções eleitorais foram mantidas secretas. A oposição política está proibida de fazer campanha e de organizar-se e tem seu acesso negado à mídia estatal. Não podemos nos reunir, não podemos fazer comícios, e quando tentamos trazer as pessoas para as ruas, elas são recebidas com gás lacrimogêneo, agressões e tiros com balas de borracha. Isso não é apenas uma ditadura militar, é um Estado policial clássico", diz a premiê em texto divulgado por jornais no mundo todo. Além disso, juízes, advogados, ativistas de direitos humanos e estudantes estão na prisão ou sob prisão domiciliar. A mídia independente tem sido fechada, tevês pararam de transmitir notícias. Jornalistas estrangeiros foram expulsos. Literalmente, milhares de ativistas políticos partidários - a maioria do Partido Popular do Paquistão - foram presos.  O enviado dos Estados Unidos ao Paquistão, John Negroponte, pediu ao presidente paquistanês que suspenda o estado de emergência, alertando que a medida "não é compatível" com as eleições livres previstas para janeiro. O subsecretário de Estado do Estados Unidos, que se encontrou com Musharraf no sábado, elogiou seu papel na luta contra militantes da Al-Qaeda e do Taleban, afirmando que Washington valoriza sua parceria como aliado.  Negroponte afirmou que pediu ainda que o presidente paquistanês liberte milhares de opositores que foram detidos e que mantenha sua palavra de sair do comando do exército.

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