Paquistão rejeita pressão da Comunidade Britânica

O Paquistão criticou ontem sua suspensão da Commonwealth (comunidade britânica de nações), mas líderes do grupo disseram que a sanção era justificada e só será levantada quando a democracia no país for restaurada.O governo paquistanês qualificou a suspensão - anunciada na quinta-feira à noite, na véspera do início da reunião da Commonwealth em Kampala, Uganda - como injustificada e disse que o estado de emergência no país não será levantado sob pressões externas. O governo também disse que lamentava a decisão da Commonwealth, que "não levou em consideração as condições que levaram o presidente Pervez Musharraf a decretar o estado de exceção", no dia 3. O Paquistão já foi suspenso da Commonwealth em 1999, quando Musharraf tomou o poder por meio de um golpe. Somente em 2004 a suspensão foi levantada. Apesar de a suspensão ter poucos efeitos práticos, analistas acreditam que pode isolar ainda mais Musharraf, um aliado-chave dos EUA na luta contra o terror, desencorajar investimentos estrangeiros e reduzir sua popularidade.A Corte Suprema do Paquistão, integrada por juízes aliados de Musharraf, rejeitou ontem duas ações contra o estado de emergência. O juiz Abdul Hamid Dogar disse que Musharraf agiu certo ao impor o estado de exceção a fim de garantir o bem-estar do Estado e do povo, por causa da deterioração da lei e da ordem no país. No entanto, o juiz afirmou que a Constituição deve ser restaurada assim que a situação melhorar e é preciso tomar os passos necessários para garantir eleições livres e justas.O ex-premiê Nawaz Sharif, deposto por Musharraf oito anos atrás, voltará ao Paquistão amanhã, disse seu irmão Shahbaz. Sharif, que vive no exílio na Arábia Saudita, obteve um acordo - cujos termos não foram revelados - com Riad para voltar a seu país.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.