Paquistão retoma base naval após ataque do Taliban

Tropas paquistanesas recuperaram uma base naval da Força Aérea nesta segunda-feira, após uma batalha de 16 horas contra apenas seis homens armados do Taliban que lançaram o ataque para vingar a morte de Osama bin Laden.

FAISAL AZIZ E MICHAEL GEORGY, REUTERS

23 de maio de 2011 | 16h03

O incidente lançou novas dúvidas sobre a capacidade dos militares do país de proteger suas bases, depois de uma invasão ao quartel do Exército na cidade de Rawalpindi em 2009 e do ataque surpresa de forças especiais dos EUA contra o esconderijo do líder da Al Qaeda nos arredores de Islamabad este mês.

O ministro do Interior, Rehman Malik, afirmou que apenas seis militantes estariam envolvidos no ataque à base PNS Mehran, em Karachi, na noite de domingo. Eles destruíram duas aeronaves e fizeram um cerco ao edifício principal de uma das bases mais fortemente guardadas no país, que é detentor de armas nucleares.

"Quando dispararam os primeiros foguetes, foram interceptados", disse o comandante da Marinha do Paquistão, almirante Noman Bashir. "Não conseguiram lançar outro ataque contra outro avião e tentaram se esconder". Segundo ele, demorou de três a quatro horas para esboçar um plano para conter os militantes.

Pelo menos dez soldados foram mortos e 20 ficaram feridos no ataque, que começou às 22h30 de domingo, disse um porta-voz da Marinha.

Malik disse que três militantes foram mortos no tiroteio. Acredita-se que um quarto militante tenha ficado soterrado sob os escombros de uma parede que desabou. Dois suspeitos conseguiram fugir, ele acrescentou.

Um dos dois militantes escondidos no prédio cometeu suicídio, enquanto outros dois foram mortos a tiros em outro lugar, disse Bashir.

O Taliban do Paquistão, que é aliados da Al Qaeda, disse que havia realizado o ataque para vingar a morte de Bin Laden.

"Foi a vingança do martírio de Osama bin Laden. É a prova de que ainda estamos unidos e somos poderosos", disse o porta-voz da organização, Ehsanullah Ehsan, à Reuters por telefone, de um local não revelado.

Malik disse que os militantes, com idades entre 20 e 25 anos, usaram duas escadas para escalar as paredes da base e invadiram o local depois de cortar o arame farpado.

Ele disse que os militantes usaram fuzis e granadas em seu ataque sobre a base, que fica 24 quilômetros da Base Aérea Masroor, a maior do Paquistão um possível depósito de armas nucleares.

A PNS Mehran é cercada por um muro de concreto, com mais 1,5 metro de arame farpado no alto. Um avião armado com foguetes está em exibição em frente à base.

Enquanto as tropas se encaminhavam para o local, alguns moradores de Karachi disseram que não podiam acreditar que a segurança poderia ter sido rompida tão facilmente.

"Se essas pessoas podem simplesmente entrar numa base militar como esta, então como qualquer paquistanês pode se sentir seguro?", questionou Mazhar Iqbal, de 28 anos, administrador de uma empresa de engenharia, na sua pausa para o almoço na sombra fora do complexo, onde uma multidão se reunia.

"O governo e o Exército são corruptos. Precisamos de novos líderes com uma visão para o Paquistão."

(Reportagem adicional de Chris Allbritton, Zeeshan Haider, Kamran Haider, Ahmed Shah e Sahar Imtiaz)

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